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Presidente sul-africano diz que se demitirá se moção de censura for aprovada

GIANLUIGI GUERCIA/GETTY

Jacob Zuma diz que o ANC não apresentou “razões claras” para que ele se demita do cargo e, em declarações a um canal de televisão, considerou “injusta” ordem para se afastar

O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, afirmou esta quarta-feira que abandonará a Presidência se o Parlamento votar a favor da moção de censura apresentada pelo próprio Congresso Nacional Africano (ANC, no poder desde 1994).

Em declarações à cadeia de televisão pública sul-africana SABC, e após várias insistências do jornalista, Zuma, no cargo desde 2009, acabou por indicar que aceitará a decisão do Parlamento, rejeitando, porém, a exigência do ANC para se demitir antes da votação de quinta-feira à tarde.

Zuma, que indicou que fará uma declaração ao país ainda esta quarta-feira, adiantou que está a ser "vítima" e que discorda dos esforços do ANC para demiti-lo.

Por outro lado, assumiu que pensou em apresentar a demissão, mas que decidiu, depois, ficar "mais uns meses" num cargo que, constitucionalmente, vigora até 2019, ano de eleições presidenciais.

"Não fiz nada de mal (...). Estou em desacordo com a decisão (do ANC). Mas se o parlamento disser que não me quer mais, partirei", sublinhou Zuma.

Zuma considerou "injusta" a decisão do Congresso Nacional Africano ANC, partido no poder desde 1994, de exigir a sua demissão.

Zuma, antigo vice-presidente a África do Sul (1999/2005) e chefe de Estado desde 2009, referiu que o ANC não apresentou "razões claras" para que ele se afaste.

O ANC indicou que, caso Zuma não se demita, está já marcada para a tarde de quinta-feira a apresentação, no parlamento, de uma moção de censura.

"É muito injusto que o assunto seja permanentemente levantado. O que poderei fazer? Ninguém é capaz de apresentar razões claras" para a demissão, afirmou Zuma, aludindo ao ANC.

"Preciso de ser informado sobre o que fiz. Porquê tanta pressa?", questionou, sem esclarecer, ao longo da entrevista, se vai ou não demitir-se dentro do prazo dado pelo ANC.

As declarações de Zuma foram feitas em direto no canal público de televisão sul-africano SABC, as primeiras desde o ultimato do ANC.

O poder de Zuma tem vindo a diminuir desde que o seu vice-presidente, Cyril Ramaphosa, lhe sucedeu, em dezembro, à frente do ANC, ficando bem posicionado para se tornar chefe de Estado na África do Sul nas eleições do próximo ano, podendo, desta forma, desviar as atenções dos casos de corrupção e centrar tudo na sucessão.

Ramaphosa, aliás, fez do combate à corrupção governamental uma das prioridades durante a pré-campanha e a campanha para a liderança do ANC.

Em causa está sobretudo determinar a extensão de eventuais crimes cometidos pelos três irmãos Gupta, a poderosa família de origem indiana que domina os negócios na África do Sul e que está também a ser investigada pelos serviços secretos do FBI.

Além das acusações de que Zuma esteja a favorecer as atividades empresariais dos irmãos, o FBI está a investigar sobretudo fluxos de caixas suspeitos, enviados pelos Gupta diretamente da África do Sul para o Dubai e para os Estados Unidos.

A oposição sul-africana considera que Ajay, Atulk e Rajesh Gupta asseguraram junto de Zuma importantes posições na administração sul-africana, pagando somas avultadas em dinheiro e permitindo ganhar concursos públicos no valor de centenas de milhões de dólares.

Desde 2016 que quer Zuma quer a família Gupta negam quaisquer ilegalidades, afirmando-se, ambos, vítimas de uma "caça às bruxas".