Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

ANC criticado pela forma como está a lidar com o afastamento de Zuma

Sean Gallup

O Congresso Nacional Africano não estabeleceu nenhum prazo para o Presidente se afastar, nem tomou nenhuma decisão sobre o que vai fazer, caso Jacob Zuma recuse deixar a Presidência da África do Sul

O Congresso Nacional Africano (ANC) enfrenta fortes críticas pela forma como conduziu o processo de afastamento do Presidente Zuma. Em causa está o facto de ter permitido que o próprio decida quando e como responderá ao comité executivo nacional (NEC), depois de este orgão ter decidido que Zuma deve deixar a Presidência, sem no entanto lhe impor um prazo.

Segundo o secretário-geral do ANC, Ace Magashule, a tomada de posição do ainda Presidente deve estar para breve, sendo aguardada uma declaração sua ainda esta quarta-feira. Os media avançam que Jacob Zuma pediu ao partido um intervalo de entre 3 e 6 meses para preparar a sua demissão.

O Presidente sul-africano, que ocupa o cargo desde 2009 e enfrenta centenas de acusações de corrupção, tem resistido a várias moções de censura contra o seu mandato, mas perdeu o apoio de muitos dos seus aliados.

Pressionado a dar respostas, o ANC não tem sido claro. Depois de afirmar que “o Presidente Zuma não fez nada errado, nem foi “declarado culpado por nenhum tribunal”, Ace Magashule referiu-se à deliberação do NEC apenas como uma “decisão coletiva”, insistindo que procuram “uma solução amigável”.

Quanto à hipótese de o Presidente optar por se manter no poder - algo que os analistas políticos não afastam - Magashule disse que nenhuma reação ou medida foram equacionadas, por enquanto.

Buscas e duas detenções

Entretanto, a polícia sul-africana deteve esta quarta-feira um dos membros da família Gupta, apelido dos influentes empresários, próximos de Zuma e atualmente sob investigação, por alegada corrupção do Governo.

“Três pessoas foram detidas e dois outros suspeitos são procurados pelos 'Hawks'”, unidade de elite de segurança, disse à AFP Hanqwani Mulaudzi, porta-voz da polícia sul-africana referindo-se à operação policial “Captura do Estado”. As buscas realizadas no interior de uma das moradias de luxo da família resultaram ainda na apreensão de vária documentação.

Os Gupta são acusados de alegadamente usar a sua amizade com Zuma para influenciar as nomeações ministeriais, garantir contratos governamentais multimilionários e conseguir acesso a informações privilegiadas. Tanto os empresários como o Presidente negam qualquer irregularidade.