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Maus tratos em exercício matam um polícia argentino e levam 14 ao hospital

Emmanuel Garay morreu no sábado, cinco dias depois de ter sido hospitalizado por desidratação extrema, no seguimento de uma ação de exercício em La Rioja, no nordeste do país

Um polícia argentino com 19 anos morreu e outros 14 tiveram de ser hospitalizados depois de um treino, durante o qual os jovens recrutas foram submetidos a maus tratos sob um calor sufocante, denunciaram esta segunda-feira as suas famílias.

"O que lhes fizeram nesse dia, a esses rapazes, não foi um treino. Eles maltrataram-nos, bateram-lhes, fizeram-lhes horrores. Dir-se-ia uma repetição da ditadura militar", que controlou o país entre 1976 e 1983), denunciou Roque Garay, o irmão do jovem que morreu, na rádio FM La Patriada.

Emmanuel Garay morreu no sábado, cinco dias depois de ter sido hospitalizado por desidratação extrema, no seguimento de uma ação de exercício em La Rioja, no nordeste do país, e 14 dos seus camaradas foram internados com sintomas similares.

"Há outros rapazes que estão a lutar pela vida. O meu irmão não é um caso isolado", sublinhou Roque Garay, que qualificou de "criminosos" os responsáveis pela ação, contra os quais a família apresentou queixa.

Na segunda-feira passada, os jovens polícias foram sujeitos a uma sessão de preparação muito dura ao sol, com um calor de 40 graus centígrados e proibidos de beber água, contou na rádio um representante das autoridades regionais, Juan Luna.

"O que se passou é muito grave. Estamos consternados. Isto não deveria ter acontecido", acrescentou.

As autoridades da província da La Rioja abriram um inquérito penal e suspenderam os responsáveis locais da polícia. O Ministério Público ordenou a detenção de quatro comissários e quatro oficiais, acusados de homicídio e incumprimento de deveres.

A ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich, afirmou, na rede social Twitter, que sentia "muita tristeza" depois da morte do jovem polícia.

Nahir, a namorada de um dos polícias hospitalizados, contou à cadeia televisiva TN, que ele estava a recuperar gradualmente depois de ter chegado ao hospital "totalmente desidratado", acrescentando que "ele não se aguentava em pé" e que "nem a um animal se faz isto".

O assassínio de um jovem soldado, em 1994, num quartel em Neuquen, no sudoeste, tinha traumatizado o país de tal modo, que o drama precipitou o fim do serviço militar obrigatório.