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Candidata opositora de Putin pede “desculpa” por alegada interferência russa nas eleições americanas

Win McNamee/Getty Images

“Parece que tivemos realmente alguma coisa a ver com isso”, afirmou Ksenia Sobchak em entrevista à CNN, considerando “inaceitável que qualquer país interfira nos assuntos de outro país”. Depois de Alexei Navalny ter sido impedido de candidatar-se às eleições de março, Ksenia Sobchak é tida como a única candidata capaz de complicar a vida a Putin, nem que seja apenas um pouco, mas há também quem veja na sua candidatura uma farsa

Helena Bento

Jornalista

Ksenia Sobchak, a candidata russa que pretende destronar Vladimir Putin nas próximas eleições presidenciais de março, acredita que “hackers” russos possam ter interferido nas eleições norte-americanas de 2016 e pediu “desculpa” por isso.

“Parece que tivemos realmente alguma coisa a ver com isso”, afirmou Ksenia Sobchak em entrevista à CNN, considerando “inaceitável que qualquer país interfira nos assuntos de outro país”.

Depois de o russo Alexei Navalny ter sido impedido de concorrer contra Vladimir Putin, Ksenia Sobchak é tida como a única candidata com credenciais suficientes para complicar a vida ao atual presidente nas próximas eleições presidenciais - nem que seja apenas um pouco. No entanto, há também que considere a sua candidatura uma farsa, aprovada pelo Kremlin apenas para dar a ideia, por muitos tida como falsa, de que há de facto oposição e assim legitimar a eleição previsível de Putin. É que Ksenia Sobchak é filha de Anatoly Sobchak, que foi presidente da câmara de São Petersburgo nos anos 1990 e mentor de Putin. O próprio Alexei Navalny já se referiu à sua candidatura como um “jogo repugnante do Kremlin” baseado na escolha de “um candidato liberal para distrair as atenções”.

A candidata, no entanto, tem rejeitado essa ideia e foi isso que fez novamente na entrevista desta quinta-feira ao canal televisivo norte-americano. “Eles têm medo de Alexei Navalny, mas não têm assim tanto medo de uma rapariga loira que apresenta programas de televisão”, afirmou Ksenia Sobchak, acrescentando que “num regime totalitário a única que se pode fazer é deixar os outros acharem que podem subestimar-nos e depois fazer de facto o nosso trabalho”.

Quanto ao pedido de Navalny para que as eleições sejam boicotadas, a candidata russa afirmou que isso não é uma opção, pelo menos para si. “Sejamos lógicos. Alexei Navalny queria fazer parte destas eleições. Se ele tivesse sido aceite como candidato isso não iria também legitimar Putin? E será que nessas circunstâncias ele iria manter o pedido de boicote? Claro que não. Diria às pessoas para votar nele e provar dessa forma que até podemos nem ganhar, mas que há milhões de pessoas que não querem Putin no governo”.