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Internacional

A queda de (mais) um assessor de Donald Trump

Caso Porter (dta) está a afetar duramente a reputação de John Kelly (esq), o general na reforma que foi chamado a pôr ordem na Casa Branca de Trump em agosto

The Washington Post

O secretário da presidência Rob Porter demitiu-se na quarta-feira após as suas duas ex-mulheres o terem acusado publicamente de violência doméstica. Fontes garantem que os altos funcionários da administração, incluindo o chefe de gabinete John Kelly, já conheciam o seu historial de abusos

Primeiro veio um artigo do "Daily Mail" a dar conta de uma relação amorosa entre Rob Porter, até agora secretário do gabinete de Donald Trump, e Hope Hicks, uma mulher de 28 anos com pouca experiência política para quem o Presidente inventou um novo cargo à sua medida na administração norte-americana.

Depois veio um segundo artigo do "Daily Mail", na terça-feira, com um documento judicial que proibe Porter de se aproximar da sua segunda mulher, Jennifer Willoughby, acompanhado de fotografias da sua primeira mulher, Colbie Holderness, com um olho negro — segundo a própria, resultado de uma das várias agressões que sofreu às mãos do ex-marido.

Em terceiro lugar, veio uma peça da CNN a dar conta de que os gestores da Casa Branca de Trump, e em particular o chefe do gabinete do Presidente, John Kelly, sabiam que Porter já tinha sido acusado de abusos emocionais e físicos pelas duas ex-mulheres.

Depressa vieram as críticas, a começar por um general na reforma que esteve na guerra do Iraque com Kelly. "Não o reconheço", confidenciou a fonte ao jornalista Jim Acosta. "Não percebo isto. Enquanto ex-comandante, ele deveria saber distanciar-se de alguém acusado de uma coisa destas até que os factos sejam comprovados."

Assim se resume o novo escândalo que veio abalar a Casa Branca esta semana, um que esta quarta-feira levou Porter a demitir-se do governo pelo que diz serem "alegações ultrajantes e completamente falsas". O seu desmentido, bem como as reações de espanto de altos funcionários da presidência, entram em choque com as notícias que foram surgindo sobre o caso nos últimos dias, em particular uma a dar conta de que Porter não passou no processo de avaliação de segurança das agências federais, um proforma sempre que uma nova administração toma posse.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, escusou-se a comentar essa alegação, bem como uma outra a dar conta de que Kelly sempre soube que Porter estava legalmente impedido de se aproximar de Willoughby desde 2010. "Tal como tem sido sempre nossa política, não comentamos questões relacionadas com avaliações de segurança. Rob Porter tem sido eficaz a desempenhar o papel de secretário do gabinete. O Presidente e o chefe de gabinete têm total confiança nas suas capacidades e no seu desempenho."

No comunicado em que se defende, lido por Sanders aos jornalistas, Porter diz que olhou "para as fotos que foram passadas aos media, que datam de há quase 15 anos, e a realidade por trás delas não se aproxima do que está a ser descrito". Também garante que sempre foi "transparente e honesto" sobre estas "alegações cruéis" e promete não participar mais no que classifica como uma "campanha de difamação".

Antes de integrar a administração, Porter estudou na Universidade de Harvard, onde foi colega do genro de Trump, Jared Kushner, e foi bolseiro na Universidade de Oxford. Também trabalhou para o senador Orrin Gatch, que na quarta-feira se disse "destroçado" com as alegações tecidas contra o seu antigo assessor. "Não conheço os detalhes da vida privada do Rob. A violência doméstica é aberrante de todas as maneiras. Estou a rezar pelo Rob e por todos os envolvidos."

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Enquanto funcionário da Casa Branca, Porter estava ao lado do Presidente praticamente todos os dias, sendo responsável, entre outras coisas, por organizar a papelada que chega à mesa de Trump e por aconselhá-lo em matéria de protocolos.

Antes da demissão de Porter, Kelly disse ao "Daily Mail" que o seu braço-direito é "um homem de verdadeira integridade e honra". Logo a seguir, o general na reforma – que esteve a chefiar o Departamento de Segurança Nacional até ter sido chamado para pôr ordem na Casa Branca de Trump em agosto – enviou um comunicado às redações a dizer-se "chocado" com as revelações.

"Não há margem para violência doméstica na nossa sociedade", sublinhou sem fazer qualquer referência às alegações de que já conhecia o historial violento de Porter. "Mantenho o que disse anteriormente sobre o Robert Porter que conheci quando me tornei chefe de gabinete. Acredito que cada pessoa tem direito a defender a sua reputação. Hoje [quarta-feira] aceitei a sua demissão e vou assegurar uma transição ordeira e célere."

Para a revista "Atlantic", é Kelly, até agora um dos mais reputados e respeitados membros do governo Trump, quem mais tem a perder e quem mais vai perder com o novo escândalo. Com a partida de Porter, ascende para 13 o número de demissões nesta administração desde que Trump tomou posse há um ano.