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Internacional

77 anos e um aplauso: líder democrata discursa continuamente durante oito horas

Chip Somodevilla/Getty Images

Em causa estava um debate sensível: os dreamers. No final, foi aplaudida pelos seus pares

Luís M. Faria

Jornalista

O debate sobre migração nos EUA teve quarta-feira um episódio que vai ficar na memória. A líder democrata na Câmara dos representantes, Nancy Pelosi, falou durante oito horas sobre os dreamers (sonhadores), os jovens migrantes a quem os pais levaram para o país quando eram crianças e que se encontram neste momento ameaçados de deportação.

Com a proteção temporária de que os dreamers gozam a expirar no próximo mês, Pelosi leu cartas enviadas por alguns dos visados, descrevendo a situação em que se encontram e as esperanças que levaram os seus pais a levá-los para os EUA.

“A nossa exigência básica é honrar a Câmara dos Representantes. Deem-nos uma oportunidade de ter uma votação [a liderança na Câmara, como no Senado, pertence atualmente aos republicanos]. Deixem-nos agradecer aos dreamers pela sua coragem, o seu otimismo e a sua inspiração para tornar a América mais americana.”

Aplaudida pelos seus colegas, a líder democrata, de 77 anos, que usava saltos altos e falou de pé o tempo todo, sem interrupções, concluiu: “Acho que a intensidade para ter essa votação aumentou.” Também notou que o acordo orçamental anunciado quarta-feira por líderes democratas e republicanos no Senado está dependente de medidas para proteger os dreamers. Sem isso, “muitos dos nossos membros não o aprovarão”, disse.

Há anos que a questão dos dreamers dura. Repetidamente ameaçados de serem devolvidos aos seus países de origem, tiveram finalmente um alívio em 2012, quando o então presidente Obama anunciou medidas para os proteger. A subida ao poder de Donald Trump devolveu-os à insegurança.

Trump manifesta-se aberto a uma solução definitiva que lhes permita ficar no país, mas só a troco de medidas antimigração, nomeadamente o reforço do policiamento fronteiriço e financiamento para o muro que ele prometeu construir na fronteira com o México. Os líderes democratas recusam.