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Zuma disposto a demitir-se após negociações com o ANC

PHILL MAGAKOE/AFP/Getty Images

A saída do Presidente da África do Sul pode estar para breve. Negociações de última hora entre o líder do ANC e Zuma revelaram-se “construtivas e sólidas” depois do partido ter desmarcado uma reunião de emergência para pressionar a demissão do Presidente

Fontes próximas do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla inglesa), partido no poder na África do Sul, preveem que a demissão do Presidente Jacob Zuma pode estar para breve, avança o jornal sul-africano "TIMESLive".

Zuma, Presidente desde 2009 e líder do ANC até dezembro último, vai renunciar ao cargo assim que esteja finalizada uma lista de condições pré-estabelecidas, fruto das negociações que manteve esta terça-feira com o atual líder do partido, Cyril Ramaphosa.

Apesar disso, outras fontes ligadas ao ANC referiram ao "TimesLIVE" que pouco depois da notícia da previsível demissão de Zuma ter sido tornada pública, que o Presidente estava, afinal, "a agarrar-se desesperadamente ao poder".

O encontro entre Zuma e Ramaphosa aconteceu logo após o anúncio do adiamento do discurso sobre o Estado da Nação, que estava agendado para esta quinta-feira, como anunciou o porta-voz da Assembleia Nacional (câmara baixa do Parlamento sul-africano), Baleka Mbete.

O ANC já tinha marcado também uma reunião de urgência com o seu Comité Executivo Nacional para esta quarta-feira, para forçar a demissão de Zuma, mas o encontro acabou também por ser adiado após as conversas entre Zuma e Ramaphosa terem sido bem-sucedidas.

Zuma e o seu sucessor à frente do ANC encontraram-se na sua residência oficial do Presidente na Cidade do Cabo, e Ramaphosa apareceu acompanhado pelo secretário-geral do partido, Ace Magashule. Este, citado pelo "TimesLIVE", descreveu as negociações de terça-feira como "construtivas e sólidas". Referiu também que tanto Zuma como Ramaphosa concordaram com a decisão de adiar o discurso sobre o Estado da Nação.

Contudo, Magashule não confirmou a demissão de Zuma, embora outras fontes partidária tenham indicado que as negociações alcançadas permitem antever uma saída "digna" do Presidente.

O secretário-geral do ANC também não especificou quem iré proferir o discurso do Estado da Nação, cuja nova data ainda está por ser anunciada.

Mbete também se pronunciou e disse, em declarações aos meios de comunicação locais, que os sul-africanos iriam ser esclarecidos em breve sobre o futuro do país.

Zuma está no poder desde 2009 e pesam sobre ele alegações de corrupção que têm enfraquecido bastante a sua posição como Presidente, especialmente desde que Ramaphosa o substituiu como líder do ANC em dezembro.

Para o próximo dia 22 mantém-se agendada a apresentação de um voto de não confiança ao Presidente por parte do partido de esquerda da oposição Lutadores pela Liberdade Económica. Também o líder do partido liberal Aliança Democrática, Mmusi Maimane, referiu em declarações aos media sul-africanos que não irá descansar até que Zuma "vá a julgamento e acabe eventualmente atrás das grades".