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Seis para Schulz (que deixa a liderança do seu partido), seis para Merkel: o que muda no Governo alemão com o acordo

HAYOUNG JEON/ EPA

A influente tutela das Finanças - há oito anos nas mãos dos conservadores de Merkel - vai ser entregue a Olaf Scholz, do partido de Schulz (que por sua vez deixa a liderança do SPD para ser ministro)

Angela Merkel vai continuar como chanceler alemã. Disso não há dúvidas. Martin Schulz, que presidiu ao Parlamento Europeu, vai deixar a liderança do Partido Social-Democrata (SPD) para assumir o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros. Isso também parece ser ponto assente. O acordo de governação que esta quarta-feira foi alcançado na Alemanha deixa cinco ministérios e o cargo de chanceler à União Democrata-Cristã (CDU), seis ministérios aos sociais-democratas e outros dois à União Social-Cristã (CSU). Faltar saber a quem será entregue a pasta dos Assuntos Especiais.

Os nomes dos novos ministros são avançados pela imprensa alemã e ainda não foram oficializados pelo Governo. Segundo o jornal “Der Spiegel”, o acordo deixou nas mãos do SPD as tutelas dos Negócios Estrangeiros, Trabalho, Família, Justiça e Ambiente. Já a União Democrata-Cristã de Merkel ficou com as pastas da Defesa, Economia e Energia, Saúde, Educação e Agricultura. À responsabilidade da CSU vão estar o Interior e Transportes e Cooperação Económica.

A grande mudança, e que faz o que a distribuição dos cargos seja favorável ao SPD, é nas Finanças. Pela primeira vez em oito anos deixa de estar na liderança do partido de Merkel e é entregue ao social-democrata Olaf Scholz, até agora presidente da Câmara de Hamburgo.

“Penso que conseguimos algo que será um novo acordar para a Europa e uma nova dinâmica para a Alemanha”, disse Schulz em conferência de imprensa conjunta com Merkel, quando apresentaram o acordo. “Estou convencida de que este pacto de coligação [...] é a base do governo estável de que o nosso país precisa e que muitos no mundo esperam de nós”, acrescentou a chanceler.

Esta quarta-feira de manhã, a CDU/CSU e o SPD terminaram as conversações, que se prolongaram por mais 48 horas do que o previsto. Uma vez alcançado um documento com 14 capítulos e 167 páginas, segue-se a consulta às bases sociais-democratas. Segundo o site da revista "Der Spiegel", um total de 463.723 sociais-democratas têm de se pronunciar sobre a sua vontade de sustentar ou não uma nova coligação governamental para a próxima legislatura de quatro anos. O processo e votação podem demorar semanas.

CDU - União Democrata-Cristã

Chanceler: Angela Merkel (reconduzida)
Defesa: Ursula Von der Leyen (reconduzida)
Economia e Energia: Peter Altmeier (deixa a pasta as Finanças e substitui Brigitte Zypries, do SPD)
Saúde: Annette Widmann-Mauz (substitui o companheiro de partido Hermann Gröhe)
Educação: Hermann Grohe (sai da saúde)
Agricultura:
Julia Klöckner (substitui Christian Schmidt, da CSU)

SPD - Partido Social-Democrata

Finanças: Olaf Scholz (ex-presidente da Câmara de Hamburgo, pode vir a ser o vice chanceler)
Negócios Estrangeiros: Martin Schulz (ex-presidente Parlamento Europeu substitui o companheiro de partido
Sigmar Gabriel)
Trabalho: Heiko Maas (deixa a Justiça e substitui a companheira de partido Andrea Nahles )
Família: Katarina Barley (substitui a companheira de partido Manuela Schwesig)
Justiça: Eva Högl (substituiu o companheiro de partido Heiko Maas)
Ambiente: Barbara Hendricks (reconduzida)

CSU - União Social-Cristã da Baviera

Interior: Horst Seehofer (atual líder do CSU, susbtitui Thomas de Maizière, da CDU)
Transportes e Cooperação Económica: Andreas Scheuer (substituiu o companheiro de partido Alexander Dobrindt)