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Internacional

Morreram 136 pessoas em três dias neste sítio

Região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, controlada pelos rebeldes da oposição e cercada pelas forças do regime desde 2013

AMER ALMOHIBANY

Nações Unidas já admitiram que estamos perante uma “catástrofe total”

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos 136 pessoas morreram nos últimos três dias na região de Ghouta Oriental, enclave rebelde a leste de Damasco, capital da Síria, segundo números divulgados por grupos de monitorização do conflito no local. Os ataques têm sido atribuídos às forças sírias e russas.

Aos 30 civis mortos na segunda-feira juntaram-se outros 80 terça-feira, naquele que foi considerado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (SOHR) o “maior massacre na Síria” desde o ataque com armas químicas em Khan Sheikhoun, na província de Idlib, cometido, conforme viria a ficar provado, pelo regime de Bashar al-Assad. Já esta quarta-feira morreram 26 pessoas em Hamuriya, Beit Saua, Duma, a maior cidade da região de Ghouta Oriental.

Controlado pelos rebeldes da oposição desde 2013, o enclave nos subúrbios de Damasco, com uma população total de 400 mil pessoas, tem sido alvo de uma intensiva ofensiva por parte do regime sírio, que pretende reconquistá-la tal como fez com as restantes vilas, cidades e províncias que caíram nas mãos da oposição durante a guerra civil do país. Em abril do ano passado, o Exército sírio e outras forças aliadas do regime cortaram o acesso à região e abateram os túneis usados até ali pelos rebeldes e comerciantes para transportar comida e medicamentos e outros bens, agravando significativamente a situação. Com acesso muito limitado a comida e medicamentos, a população e vários grupos de ativistas locais lançaram apelos, tendo sido depois disso retiradas algumas pessoas da região e levadas para hospitais em Damasco, para ali receberem tratamento.

“As pessoas lá fora pensam que a Rússia e a Síria estão apenas a matar combatentes armados, mas isso é completamente falso. Apenas os civis estão ser atingidos - pessoas normais, pessoas de Damasco”, denunciou al-Shami, residente que perdeu dez familiares num dos ataques aéreos, à “Al-Jazeera”. Desde finais de dezembro do ano passado, morreram 369 pessoas no enclave sírio, incluindo 91 crianças e 68 mulheres, segundo números divulgados pelo SOHR.

As Nações Unidas, que já haviam admitido estarmos perante uma situação de “catástrofe total”, fizeram um novo apelo terça-feira, pedindo o fim dos ataques durante pelo menos um mês para poder realizar operações de assistência e retirar os feridos e doentes (as localidades cercadas pelas forças do regime não podem receber ajuda humanitária sem autorização das autoridades sírias). Nenhuma resposta foi dada ainda ao pedido.