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Presidente iraniano diz que “armas do Irão não são negociáveis”

Hassan Rouhani, Presidente iraniano, em conferência de imprensa, no dia em que se assinala o 39.º aniversário da Revolução Islâmica de 1979.

ATTA KENARE/GETTY IMAGES

Hassan Rouhani aproveitou a presença dos jornalistas para criticar a ofensiva lançada recentemente pela Turquia no nordeste da Síria para expulsar os combatentes curdos da região. “Não teve quaisquer resultados”, afirmou

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

No dia em que se assinala o 39.º aniversário da Revolução Islâmica, o Presidente iraniano garantiu que o Irão não vai negociar “com ninguém” o programa balístico do país.

“O nosso compromisso com o mundo é o de não ter armas de destruição em massa. Contudo, não negociaremos as nossas armas com ninguém”, afirmou Hassan Rouhani em conferência de imprensa em Teerão, capital do Irão, garantindo perante os jornalistas presentes que os mísseis iranianos “nunca foram e nunca serão ofensivos”. Servem, por outro lado, propósitos de defesa e “não se destinam a armas de destruição em massa que o Irão não tem e que são imorais e contrárias à religião”.

À semelhança de outras ocasiões, Rouhani garantiu que o acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irão e o grupo dos 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, França, Reino Unido, Rússia e China - e a Alemanha) não poderá de forma alguma ser renegociado ou “reescrito”, conforme pretende o Presidente norte-americano Donald Trump, que já disse várias vezes não concordar com algumas cláusulas, nomeadamente a que permite o levantamento das restrições sobre o programa iraniano de enriquecimento de urânio para fins militares a partir de 2025.

“O acordo foi negociado ao longo de 30 meses antes de ser assinado. Foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU. Não faz sequer sentido afirmado que pode ser renegociado seja pelos EUA, seja pelos europeus”, afirmou o Presidente iraniano. “A chave para os problemas entre Teerão e Washington”, acrescentou Rouhani, “está nas mãos de Washington”. “Os EUA têm de acabar com a sua pressão, ameaças e sanções. Se o fizerem, a situação irá melhorar automaticamente e nessa altura poderemos pensar no nosso futuro.”

Ofensiva da Turquia contra os combatentes curdos “não se justifica”

O Presidente iraniano aproveitou ainda para criticar a ofensiva lançada recentemente pela Turquia no nordeste da Síria para expulsar os combatentes curdos da região e que, a seu ver, “não teve quaisquer resultados”. Hassan Rouhani também criticou a forma como começou por ser conduzida a ofensiva, sublinhando que “a entrada de um exército estrangeiro no território de outro país deveria estar dependente da autorização desse mesmo país”, o que neste caso não aconteceu.

Para o Presidente iraniano, “esta ofensiva não se justifica” e portanto a esperança é que “termine em breve”. “Os nossos amigos turcos estão a ser mortos e os curdos estão a ser mortos.” Pelo tom e palavras usadas, percebeu-se que foi meramente uma recomendação. Até porque mais à frente, Rouhani garantiu que o Irão, neste momento o principal aliado do Presidente sírio Bashar al-Assad, mantém boas relações com a Turquia e a Rússia no que à Síria e ao resto diz respeito.

Sobre os recentes protestos no Irão, o Presidente iraniano justificou-os com os problemas económicos do país. “As pessoas têm criticado muito a situação económica e com razão, mas também têm criticado a situação social e a política externa e interna. As pessoas têm muito a dizer e a nossa obrigação é ouvi-las”, concluiu.