Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Paquistão. Esgota-se o prazo legal para a permanência dos refugiados afegãos

Fayaz Aziz / Reuters

O Governo paquistanês já prolongou por seis vezes as “Prova de Registo” que permitem que os refugiados continuem no país, mas não parece agora estar disponível para o voltar a fazer

O relógio está em contagem decrescente para os refugiados afegãos que vivem no Paquistão, aproximando-se o fim do prazo legal para a sua permanência no país, onde a maior parte já vive há décadas.

São mais de um milhão com o futuro em aberto, a partir desta quarta-feira, pendentes do que os gabinetes ministeriais vierem a decidir nas reuniões entretanto agendadas. Ao Paquistão chegaram já o ministro do Interior afegão Wais Ahmad Barmak e o chefe dos serviços de informação, Mohamed Masoom Stanekzai, que vão também participar nas conversações.

Este é um problema que se vem arrastando. No passado, o país já estendeu a validade das chamadas “Prova de Registo” (PoR) dos refugiados afegãos pelo menos seis vezes, mas a última extensão - concedida em 3 de janeiro, dias após expirar a sua validade - apenas dilatou o prazo por mais um mês, o período mais curto de sempre.

Numa declaração oficial então tornada pública, o Governo lembrou que a economia paquistanesa “tem carregado o fardo de hospedar refugiados afegãos desde há demasiado tempo”, considerando que “nas circunstâncias atuais, não o pode fazer mais”.

A questão dos refugiados tornou-se motivo de fricção nas relações diplomáticas entre o Paquistão e os Estados Unidos.

O Paquistão abriga pelo menos 1,38 milhões de refugiados afegãos registados, de acordo com o ACNUR, mas estima-se a existência de pelo menos mais um milhão fora do sistema oficial.

O eventual regresso forçado destes refugiados é já um motivo de preocupação para quem está no terreno. “É impossível que os 2,3 milhões de refugiados no Paquistão regressem todos de imediato”, diz Baryali Miankhel, presidente de uma organização afegã que presta assistência aos refugiados na província do noroeste de Khyber-Pakhtunkhwa, onde a maioria reside: “Nós dissemos isto mesmo ao governo paquistanês”.