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Papa Francisco envia investigador de abusos sexuais de crianças para o Chile

O arcebispo de Malta está de partida para Santiago para investigar as alegações contra o bispo chileno Juan Barros

ANDREAS SOLARO

Depois de ter cometido uma gafe em defesa de um bispo que é suspeito de ocultar crimes de pedofilia, o líder da Igreja Católica anunciou que o arcebispo de Malta vai ao terreno investigar as suspeitas que pendem sobre Juan Barros

O Papa Francisco anunciou esta semana que vai enviar um responsável do Vaticano pela pasta de abusos sexuais de menores para o Chile com a missão de investigar se um bispo católico do país ocultou os abusos de crianças cometidos por um outro padre.

O anúncio foi feito na terça-feira depois de o líder da Igreja ter visitado o país, onde se encontrou com vítimas de abusos às mãos de clérigos da Igreja chilena antes de reafirmar a sua crença de que o bispo Juan Barros é inocente. A gaffe não passou despercebida e Francisco acabaria por pedir desculpa por ter usado uma expressão "menos feliz" para defender o bispo em questão.

Num comunicado divulgado na terça-feira, o Vaticano avançou que surgiram novas informações sobre o caso e anunciou que, por esse motivo, o arcebispo Charles Scicluna vai viajar até ao Chile para "ouvir aqueles que queiram submeter informações na sua posse".

O prelado ganhou fama entre 2002 e 2012, antes de ser nomeado arcebispo de Malta em 2015, graças a uma série de casos de abuso sexual de menores dentro da Igreja que investigou durante esse período e que lhe valeram a classificação de "especialista mais respeitado do Vaticano" em matéria de pedofilia.

Barros, o alvo do inquérito de Scicluna, não é acusado de abusar sexualmente de menores, mas sim de ter ocultado o facto de um outro padre chileno, Fernando Karadima, ter molestado dezenas de rapazes em Santiago do Chile a partir dos anos 1980.

O Vaticano considerou Karadima culpado desses crimes e condenou-o a uma pena perpétua de "arrependimento e orações"; contudo, o padre nunca chegou a enfrentar acusações criminais no Chile. O Papa tem enfrentado críticas desde 2015 por ter eleito Barros para assumir o cargo de bispo de Osorno apesar das denúncias contra ele.

Na sua recente visita ao país, Francisco foi acolhido com alguns protestos que acabariam por se transformar em fúria quando defendeu a inocência do prelado. "No dia em que eu vir provas contra o bispo Barros falamos. Não há uma única prova contra ele, é tudo difamação. Fui claro?"

Em reação, o cardeal de Boston, Sean O'Malley, que integra o grupo de conselheiros mais próximos do Papa, acusou Francisco de, com as suas palavras, causar "grande dor" às vítimas dos crimes de Karadima e do silêncio de Barros. As vítimas, por sua vez, convocaram uma conferência de imprensa para criticarem a postura do líder máximo da Igreja, classificando como "ofensivo e inaceitável" o facto de ter dito que elas precisam de "fornecer mais provas concretas" em sua defesa. De regresso a casa, o Papa acabou por pedir-lhes desculpa.