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Internacional

FBI está a analisar novas informações sobre alegado conluio entre Trump e a Rússia

Novo dossiê pode servir para corroborar informações apuradas pelo ex-espião britânico Christopher Steele

Victoria Jones - PA Images

Senador democrata diz que Congresso recebeu "novos documentos importantes e extraordinários" sobre as alegadas ligações entre a campanha de Trump e o Kremlin. "The Guardian" revela em exclusivo que o FBI tem em mãos uma segunda pasta sobre o assunto que parece comprovar parte das alegações do chamado "dossiê Steele"

A equipa do FBI responsável por investigar o alegado conluio da campanha de Donald Trump com a Rússia durante a campanha presidencial de 2016 obteve um novo dossiê com informações que parecem comprovar parte das alegações de um outro dossiê compilado pelo ex-espião britânico do MI6, Christopher Steele.

Ao que o "Guardian" apurou, este segundo memorando é da autoria de Cody Shearer, um controverso ex-jornalista e ativista político que manteve grande proximidade com a Casa Branca de Bill Clinton na década de 1990 que não tem carreira reconhecida na espionagem como Steele e cujas informações terão sido inicialmente descartadas pela agência federal.

Apesar do cepticismo inicial, os investigadores do FBI estão agora a tentar apurar a veracidade do "memorando Shearer", avança uma fonte com conhecimento do inquérito, sublinhando que o facto de estes documentos terem sido repescados sugere que a agência está a levar algumas das informações do ex-jornalista a sério. O "Guardian" refere a possibilidade de partes do dossiê Steele terem sido corroboradas na investigação autónoma de Shearer.

A revelação surge numa altura em que o Presidente dos EUA e legisladores republicanos que o apoiam estão a tentar pôr em causa a idoneidade da equipa de Robert Mueller, o antigo diretor do FBI que foi nomeado para chefiar estas investigações do FBI após Trump ter despedido James Comey.

Entre as acusações contam-se alegações, ainda por comprovar, de que alguns dos investigadores a cargo de um primeiro inquérito aberto antes das presidenciais eram favoráveis a Hillary Clinton. A campanha para criar dúvidas em torno do inquérito de Mueller já levou à demissão do número dois do FBI, Andrew McCabe.

A notícia do "Guardian" aparece dois dias depois de um senador democrata ter revelado que, no final do ano passado, os legisladores do Congresso responsáveis, também eles, por investigar as suspeitas de conluio receberam "novos documentos importantes e extraordinários" sobre o caso.

"Recebemos novas informações que levantam mais questões", referiu Mark Warner em entrevista ao Politico na segunda-feira. "Mueller está a aproximar-se cada vez mais da verdade e ao aproximar-se mais e mais da verdade está a aproximar-se cada vez mais do Presidente", defende o principal democrata da comissão de serviços de informação do Senado. É por causa disso, acrescenta, que "estamos a assistir a este esforço coordenado para tentar travar a investigação".