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Ciência. Orcas são os novos papagaios

ALEJANDRO ZAPEDA / reuters

Um estudo científico revelou que as baleias assassinas são capazes de imitar palavras como “olá”, “adeus” e contar “1, 2, 3”. Um passo em frente na investigação do modo como estes mamíferos marítimos comunicam entre si

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

A Wikie é capaz de dizer o nome “Amy” e de “contar” 1, 2, 3, em resposta ao comando do treinador. Esta será a primeira orca fêmea a conseguir a proeza de “falar” um reportório limitado de expressões humanas. Segundo Josep Call da Universidade de St. Andrews, co-investigador deste estudo , “é muito raro entre os mamíferos” a capacidade das baleias e de poucos outros mamíferos de produzir novos sons na sequência da audição dos mesmos. Entre eles contam-se os golfinhos, elefantes, papagaios, orangutangos e baleia beluga.

“Quando se trata de imitar o discurso humano, os papagaios são as superestrelas do mundo animal, mas a orca Wikie não lhes fica muito atrás”, escreve a revista “Science Magazine” referindo a orca de 14 anos que demonstrou as suas capacidades vocais imitando as instruções dadas pelos treinadores.

A “Science Magazine” desvenda que os investigadores começaram por treinar a baleia a obedecer a um sinal que significa “repete isto”, o qual era usado, por exemplo, para levar o animal a imitar outras baleias a projetar água no ar.

O passo seguinte foi colocá-la perante sons inéditos, “cinco sons de outras orcas e seis frases faladas pelos treinadores”, e pedir-lhe que os repetisse.

Segundo a descrição da experiência pela equipa em “Proceedings of the Royal Society B.”, a Wikie respondeu às ordens exprimindo “sons que correspondiam toscamente aos que tinha sido levada a copiar”. Alguns exercícios tiveram de ser reptidos 17 vezes, porém quatro entre eles foram reproduzidos à primeira tentativa: “olá”, “adeus” e “1, 2, 3”.

“Quisemos avaliar até que ponto uma baleia assassina é flexível na imitação de sons”, disse o professor Call, acrescentando que o resultado seria mais convincente se “lhes fossem apresentados sons não pertencentes ao seu reportório”. “Olá não é o que uma baleia assassina diria”, remata, citado pelo diário “The Guardian”.

Uma vez que as orcas vivem em grupos coesos, cada um com o seu dialeto, os cientistas defendem que esta capacidade de aprender novos sons é fundamental para investigar o modo como comunicam e interagem.