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ONU avisa que Gaza está à beira do “colapso total”

SAID KHATIB/GETTY

“Gaza arrisca-se novamente a explodir, de uma maneira mais violenta e mortífera do que no passado”, alertou o enviado especial da ONU, Nickolay Mladenov

O enviado especial da ONU para o Médio Oriente, Nickolay Mladenov, advertiu esta terça-feira que a faixa de Gaza, enclave palestiniano controlado pelos radicais do Hamas sob bloqueio israelita e egípcio, está à beira do “colapso total”.

Segundo Nickolay Mladenov, a solução para Gaza passa pela restauração do poder da Autoridade Nacional Palestiniana naquele território.

O movimento radical islâmico palestiniano Hamas assumiu o poder em Gaza em 2007, após ter expulsado as forças leais à Fatah, movimento secular e moderado ao qual pertence o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud Abbas.

Sem essa transferência de poder, “Gaza arrisca-se novamente a explodir, de uma maneira mais violenta e mortífera do que no passado”, alertou o enviado especial da ONU, durante uma conferência anual do instituto israelita para os estudos de segurança nacional em Telavive.

O Hamas reconciliou-se em outubro passado com a Fatah. O acordo de reconciliação, que acabou com quase 10 anos de desentendimentos, deu origem ao anúncio de um governo de unidade nacional.

A faixa de Gaza foi palco de três guerras entre Israel e grupos armados palestinianos desde 2008. A par dos conflitos, o pequeno enclave enfrenta níveis altos de pobreza e de desemprego, uma situação económica fragilizada, escassez de água e de eletricidade, bem como os bloqueios israelita e egípcio.

As autoridades de Israel culpam os radicais do Hamas pela atual situação do enclave.

Os Estados Unidos anunciaram este mês que a contribuição de Washington para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), um dos principais suportes de Gaza, ia sofrer uma redução substancial.

A administração liderada por Donald Trump anunciou que a ajuda anual entregue à UNRWA ia passar dos 360 milhões de dólares (cerca de 290 milhões de euros) atribuídos em 2017 para 60 milhões de dólares (40 milhões de euros) em 2018.

“Digo muitas vezes publicamente, durante as reuniões do Conselho de Segurança e em outros fóruns, que estamos diante uma grande crise humanitária”, disse Mladenov.

“Estamos à beira de uma falência total dos sistemas de Gaza, com um colapso total da economia, com implicações que afetam os serviços sociais, políticos e humanitários”, reforçou.

Perante a decisão de Washington, que surgiu depois de a Assembleia-geral da ONU ter condenado a posição dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, as Nações Unidas estão a tentar mobilizar potenciais doadores internacionais para cobrir a verba até agora assegurada pelos norte-americanos.

Uma dezena de países, todos europeus à exceção do Kuwait, estão a adiantar as respetivas contribuições, de forma a manter operacionais algumas das estruturas apoiadas pela agência, como escolas e hospitais, segundo afirmou o comissário geral da UNRWA em Jerusalém, Pierre Krahenbuhl, citado hoje pela agência espanhola EFE.

Desde a década de 1950, os Estados Unidos eram o doador individual mais importante da organização.

Os gastos operativos anuais da UNRWA situam-se entre os 1,200 mil milhões e os 1,300 mil milhões de dólares (entre 968 milhões de euros e os 1,048 mil milhões de euros).