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Internacional

China representa “ameaça tão grande para os EUA” quanto a Rússia

Pompeo lidera a agência central de espionagem desde janeiro de 2017

Drew Angerer/Getty Images

Em entrevista à BBC, o diretor da CIA, Mike Pompeo, diz que a agência está preparada para enfrentar tentativas de ingerência russa nas eleições intercalares de novembro próximo

Os esforços da China para exercer influência sobre a vida no Ocidente são tão preocupantes quanto os esforços de subversão russos, até porque Pequim tem "uma pegada muito maior" neste ponto do que Moscovo. Assim defende Mike Pompeo, diretor da CIA, numa entrevista à BBC esta terça-feira.

Como exemplo, o chefe da agência central de espionagem cita as tentativas chinesas de roubar informação comercial aos EUA e de se infiltrar em escolas e hospitais do território norte-americano e também da Europa.

Na entrevista, Pompeo não tira importância aos esforços de subversão russos, dizendo que está a antecipar que o Kremlin tente imiscuir-se nas eleições intercalares de novembro e reconhecendo que não houve qualquer diminuição significativa destas tentativas por parte dos russos, nem na Europa nem nos EUA, desde as eleições norte-americanas de 2016.

Ainda sobre os governos de Vladimir Putin e Xi Jinping, o legislador republicano tornado chefe da CIA em janeiro de 2017 ressalta: "Vejam-se as escalas das duas economias. Os chineses têm uma pegada muito maior para executar estas missões do que os russos." Juntos, os aliados podem e devem fazer mais para cobater os esforços da China para exercer poder sobre o Ocidente, sublinha o chefe dos espiões.

"Estamos a assistir a esforços muito concentrados para roubar informação americana, para infiltrar espiões nos EUA, pessoas que vão trabalhar em nome do governo chinês e contra a América. Vemos isso nas nossas escolas. Vemos isso nos nossos hospitais e sistemas médicos. Vemos isso no mundo empresarial da América. E isto também se aplica a outras partes do mundo, incluindo na Europa e no Reino Unido", sublinha.

Na conversa com o canal britânico, Pompeo também reconheceu que, "dentro de um punhado de meses", a Coreia do Norte pode já ter capacidades para atacar a América continental com mísseis nucleares, e tentou minorizar as alegações feitas em "Fire and Fury" sobre a falta de capacidades de Donald Trump para liderar o país, na sua visão "um disparate".

Questionado sobre a situação na Síria, onde diferentes fações armadas continuam a lutar entre si desde que a revolta contra Bashar al-Assad começou em março de 2011, Pompeo afasta a noção de que os EUA têm pouca influência no país cujo Presidente xiita está a ser apoiado pelos russos e pelo Irão.

"Vamos trabalhar neste conjunto de problemas complicados e combater os iranianos onde for possível", garantiu à BBC, referindo-se ainda à guerra por procuração em curso no Iémen, onde os iranianos apoiam os rebeldes huthis contra o governo apoiado pela Arábia Saudita e outros aliados sunitas.

Na sua visão, a melhor forma de evitar um conflito com Teerão é garantir que o povo iraniano entende o elevado custo das atividades do seu governo em locais como a Síria e o Iémen, mas também na Europa — isto numa altura em que EUA e União Europeia estão às avessas por causa do histórico acordo multilateral alcançado com o regime dos aiatolas em 2015 para impedir que desenvolva armas nucleares, que a administração Trump pretende suspender.

"Espero que eles [iranianos] se rebelem e compreendam que não é do interesse do país enviar forças para sítios como a Europa para conduzir atividades malignas na Europa quando há tanto que pode ser feito para fazer do Irão um sítio melhor. Estamos confiantes de que o povo iraniano compreende isso. Esperamos que os seus líderes também o aceitem."