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Expresso

Internacional

Alemanha. Trabalhadores da indústria em greve de 24 horas por aumento salarial de 6%

O poderoso sindicato metalúrgico alemão IG Metall reclama aumenos de 6% nos salários

FRIEDEMANN VOGEL

O poderoso sindicato metalúrgico IG Metall endurece a luta e convoca greves de 24 horas até sexta-feira que poderão afetar 260 empresas. Esta greve é o “último aviso” alertam os representante de mais de 2,275 milhões de trabalhadores alemães, numa ação sem precedentes desde 2003

Os trabalhadores alemães de várias empresas metalúrgicas e de engenharia vão abandonar os seus postos de trabalho e iniciar protestos de 24 horas até sexta-feira contra a falta de condições laborais depois do fracasso da quarta ronda de negociações entre o patronato e os representantes do IG Mettal, o maior sindicato metalúrgico do mundo.

Os protestos deverão durar até à próxima sexta-feira à noite, mas o sindicato já referiu que a porta continua aberta a novas negociações se as empresas estiverem dispostas e alerta que a greve de 24 horas é o "último aviso", refere a agência Reuters.

As manifestações e "passeatas" vão ter maior adesão na Renânia do Norte-Vestfália, considerada o "coração" industrial da Alemanha, mas também no estado da Baviera, no sul, onde se encontram empresas como a Siemens ou a empresa de transporte MAN.

Estima-se que 260 empresas sejam afetadas pelos protestos.

O objetivo, explicou o sindicato citado pela agência "Reuters", é alcançar melhores condições laborais para os 3.9 milhões de trabalhadores metalúrgicos e de empresas relativas à engenharia do país. Além de gigante industriais como a Thyssen ou a Bosch, IG Mettal representa também trabalhadores dos maiores construtores automóveis alemães como a Daimler, BMW, Porsche, Volkswagen, Audi, entre outros.

Algumas das exigências que estão em causa contemplam um aumento de 8% durante 27 meses no salário dos trabalhadores assim como uma redução da carga horária semanal de trabalho de 35 horas para 28 horas durante dois anos, que os trabalhadores justificam como necessária para poder cuidar de crianças e familiares mais velhos ou doentes, refere a "Reuters".

Os trabalhadores e o sindicato justificam os seus pedidos com o crescimento económico do país, o mais rápido em 6 anos, e no recorde que se verificou na diminuição da taxa de desemprego.

Nas negociações anteriores, as empresas tinham avançado com uma proposta de aumento salarial em 6,8% e rejeitado o pedido de redução horária.

"É importante que as empresas tenham horas suficientes de trabalho para garantir a produção", referiu Oliver Zander, da empresa Gesamtmetall, citado pela agência "Reuters".

O IG Metall é o maior sindicato metalúrgico do mundo, com 2.3 milhões de filiados, que liderou em 1984 várias greves que duraram sete semanas, permitindo aos trabalhadores reduzir o seu horário semanal de 40 horas para 35 horas.