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Turquia pede aos EUA que retirem todas as tropas de Manbij

Comunidade curda de Toulouse saiu à rua este fim-de-semana em protesto contra a ofensiva turca em Afrin

Alain Pitton / NurPhoto / Getty Images

Em causa está um controverso plano para alargar a ofensiva turca anti-curdos à região de Manbij, onde os norte-americanos têm tropas

A Turquia fez, este domingo, um apelo aos Estados Unidos da América para que retirem todo o seu pessoal militar de Manbij, no norte da Síria, dias depois de ter anunciado um controverso plano para alargar a sua ofensiva anti-curdos à região.

Citado pelos media turcos, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavuşoğlu, disse, no sábado, que é “preciso que [os EUA] retirem imediatamente de Manbij” e que “deem passos mais concretos” para acabar com o seu apoio às Unidades de Proteção do Povo curdas (YPG) — um dos grupos armados que a coligação internacional liderada pelos norte-americanos tem estado a apoiar na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Síria.

“Os EUA têm de cortar todos os laços com a organização terrorista”, declarou o chefe da diplomacia turca durante uma visita à província mediterrânica de Antalya, citado pelo diário turco “Hurriyet”. O governo de Recep Tayyip Erdogan considera que as YPG, braço militarizado do Partido Curdo de União Democrática na Síria (PYD), são um ramo do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que está há décadas a pegar em armas para lutar pela autodeterminação do povo curdo na Turquia.

Na sua luta contra os curdos em território sírio, Ancara começou por lançar uma ofensiva em Afrin e anunciou no final da semana passada que pretende avançar para Manbij, onde os EUA e aliados têm estacionadas várias tropas, incluindo os combatentes das YPG que são apoiados, financiados e armados pela coligação.

No rescaldo desse anúncio, no final da semana passada, elevaram-se receios de um conflito entre os dois aliados da NATO, sobretudo depois de os EUA terem sublinhado que os seus combatentes no terreno “têm direito a defender-se” caso sejam atacados pela Turquia em Manbij.

Na sexta-feira, o Presidente turco disse que as suas tropas vão continuar a batalhar para empurrar as YPG até à fronteira da Síria com o Iraque, incluindo em Manbij, isto antes de o Exército turco anunciar no dia seguinte que 394 combatentes curdos já foram “neutralizados” desde o início da operação em Afrin, a 20 de janeiro.

As chefias militares turcas informaram, em comunicado, que “340 alvos das organizações terroristas PKK, KCK [União de Comunidades do Curdistão], PYD/YPG e SIL [Daesh] foram destruídos”, avançando que três soldados seus e 13 membros do aliado FSA [Exército Livre da Síria] também morreram nessa ofensiva.