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O “treino para se tornarem homens”: polícia obriga mulheres transgénero a vestirem roupas masculinas

CHAIDEER MAHYUDDIN/ AFP

Na província de Aceh, na Indonésia, a comunidade LGBT não é bem vista e o último caso dá conta de um grupo de 12 mulheres transgénero obrigadas a correrem na rua e a cantarem em frente a todos. Tudo para que as “vozes masculinas reapareçam”

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

“Foi um treino para que consigam tornar-se homens novamente”. Assim justificou o chefe da polícia de Aceh, uma província na Indonésia, o facto das autoridades locais terem forçosamente rapado o cabelo a um grupo de 12 mulheres transgénero e obrigarem-nas a vestirem roupas masculinas. Depois, forçaram-nas a correr e a cantarem até as “vozes masculinas” reaparecerem.

O chefe da polícia, Ahmad Untung Surianata, disse, citado pela BBC, que os atos fazem parte de uma campanha para prevenir as pessoas transgénero de afetarem a próxima geração de jovens”. O grupo de mulheres foi levado, posteriormente, para a esquadra local para continuarem a ser “guiadas” no processo de “conversão”.

À CNN, Surianata disse que a operação começou como uma resposta a queixas que foram feitas em relação a sessões de espetáculos que aquele grupo fez numa escola para rapazes. Negou, portanto, que o incidente se tenha tratado de uma operação anti transgénero. Tunggal Pawestri, uma ativista de direitos humanos, disse ao jornal norte-americano que era claro” que as autoridades locais violaram os direitos humanos daquele grupo e mostrou-se preocupado com a saúde mental e física das mulheres.

Estas detenções e “castigos” não são inéditos. Nos últimos anos, a comunidade LGBT tem sido alvo de violência por parte das autoridades e habitantes. Em maio do ano passado, dois jovens foram chicoteados 80 vezes depois de terem sido acusados de terem tido relações sexuais um com o outro. Os vizinhos entraram dentro do apartamento onde estavam com câmaras fotográficas e filmaram a cena.

Desde 2015 que existem relatos de ataques a saunas compostas por homossexuais e comunicados feitos pelas autoridades locais sobre os “demónios” que a comunidade LGBT e que é mais perigoso para a Indonésia do que uma guerra nuclear.