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Universidade onde trabalhava médico condenado por assédio sexual vai ser investigada

Scott Olson/Getty Images

Larry Nassar, antigo médico da seleção de ginástica dos EUA, foi condenado a uma pena de prisão entre os 40 e os 175 anos por ter abusado sexualmente de mais de 150 ginastas. A reitora e o diretor desportivo da Universidade Estadual de Michigan apresentaram a sua demissão esta semana

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

A Universidade Estadual de Michigan, onde Larry Nassar, o antigo médico da seleção de ginástica dos EUA que foi condenado a uma pena de prisão entre os 40 e os 175 anos trabalhava, vai ser alvo de uma investigação, anunciou o procurador-geral de Michigan, Bill Schuette.

“O meu departamento e esta investigação vão mostrar-nos quem sabia o quê e onde”, afirmou o procurador. Larry Nassar, acusado de ter abusado sexualmente de mais de 150 ginastas e antigas ginastas, ginastas olímpicas e outras menos conhecidas, trabalhava na Universidade Estadual de Michigan. Foi ali, no seu consultório, que terá abusado de algumas das vítimas durante mais de 20 anos.

A reitora da universidade, Lou Anna Simon, demitiu-se na quarta-feira, perante a enorme pressão que havia para que o fizesse. Também o diretor desportivo daquela instituição de ensino anunciou a sua demissão na sexta-feira. Ambos têm sido criticados por não terem agido atempadamente ou feito algo para evitar os abusos. Em sua defesa, alegaram não ter conhecimento de nenhum dos casos até estes se tornarem públicos.

A investigação anunciada por Bill Schuette ficará a cargo de um procurador aposentado do estado de Kent, no Michigan, que terá o apoio do diretor da polícia daquele estado norte-americano, Kriste Kibbey Etue. As conclusões serão publicadas num relatório que será divulgado posteriormente.

Larry Nassar foi condenado na quarta-feira a 175 anos de prisão, que começam a ser cumpridos com um prazo de 40 mas que serão depois agravados para que o antigo médico, que já tinha sido condenado a 60 anos de prisão por crimes federais ligados a pornografia infantil, não volte a sair da cadeia. “Acabei de assinar a sua sentença de morte”, disse então a juíza Rosemarie Aquilina, que conduziu o caso e ouviu os testemunhos em tribunal. Testemunhos de histórias trágicas de vítimas que nunca recuperaram do que aconteceu. Uma mãe contou aliás que a sua filha, uma das vítimas, se tinha suicidado por ter sido abusada sexualmente anos antes pelo antigo médico. Há ainda casos de depressão, stress pós-traumático e ataques de pânico.

Em resposta a um pedido dos meios de comunicação, a magistrada leu ainda excertos de uma carta enviada dias antes ao tribunal por Nassar e na qual este diz ter sido “um bom médico”, uma vez que os seus tratamentos “resultaram”, e acusa as suas vítimas de terem criado tudo aquilo apenas para ganhar dinheiro. “Não existe fúria igual à de uma mulher desprezada”, dizia Nassar.

Ainda na quarta-feira, e antes de serem lidas as alegações finais da acusação e da defesa, o antigo médico pediu para ler uma declaração que haveria de interromper durante breves segundos para olhar para a audiência: “As vossas palavras ao longo destes dias tiveram um grande efeito sobre mim e abalaram-me muito. Vou carregá-las comigo até ao fim dos meus dias”. A juíza respondeu apenas: “Espero bem que sim, espero bem que sim”.