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Internacional

Síria: ofensiva turca contra milícias curdas começa a dar frutos

Tropas turcas no Monte Barsaya, a norte de Afrine

KHALIL ASHAWI/REUTERS

Apesar da preocupação manifestada por alguns países europeus, Erdogan não só não parece disposto a interromper a ofensiva iniciada há mais de uma semana para expulsar as milícias curdas do norte da Síria como já anunciou que pretende alargá-la. “Os terroristas não podem escapar ao fim doloroso que os espera”, afirmou o Presidente turco

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Nove dias depois do início da ofensiva sobre as milícias curdas na Síria, as forças turcas anunciaram este domingo a conquista da colina “estratégica” de Barsaya, em Afrin, no noroeste do país.

A operação foi conduzida por membros das forças especiais turcas e rebeldes sírios do Exército Livre da Síria (FSA, na sigla em inglês), que contaram com o apoio de ataques aéreos, helicópteros de ataque, drones armados e morteiros. Em resposta, as autoridades da região semiautónoma curda da Síria disseram que não iam participar numa reunião para a paz no país, marcada para terça-feira na zona balnear russa de Sotchi.

Apesar dos receios transmitidos recentemente por países como a Alemanha e a França, assim como pela União Europeia, em relação à intervenção turca no noroeste da Síria contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), o Presidente Recep Tayyip Erdogan não só não parece disposto a retroceder como disse estar decidido a alargar a ofensiva a leste, nomeadamente a Manbij, onde Washington tem militares. “Os terroristas não podem escapar ao fim doloroso que os espera, nem em Afrin, nem em Manbij”, afirmou este domingo Erdogan, num discurso em Corum, no norte da Turquia, acrescentando que “a fronteira [síria] será limpa”.

De acordo com um comunicado publicado pelas forças armadas turcas e citado pela Al-Jazeera, desde o início da ofensiva já foram “neutralizados” 394 combatentes curdos; morreram também três soldados turcos e 13 membros do Exército Livre da Síria.

Também este domingo, o governo turco, pela voz do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, instou os EUA a retirarem as suas tropas de Manbij devido à ofensiva turca em preparação. O ministro, que falava na província turca de Antalya, disse ainda que os EUA deviam trocar as palavras por atos e “cortar os laços que mantêm com organizações terroristas”. Washington, de resto, já terá prometido não voltar a fornecer armas às milícias curdas da Síria, segundo o diário turco "Hurriyet”, que na sua edição desde domingo menciona uma conversa entre o conselheiro para a Segurança Nacional dos Estados Unidos, H.R. McMaster, e o governo de Ancara.