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Puigdemont irá pedir autorização judicial para participar na sessão de investidura

Getty

Regresso de ex-líder da Catalunha a Barcelona está dependente de certas “garantias”, que não se sabe exatamente quais são

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

O Tribunal Constitucional espanhol determinou no sábado que o ex-líder da Catalunha, Carles Puigdemont, só poderá participar na sessão de investidura no parlamento regional se apresentar uma autorização judicial e, segundo disse este domingo Josep Rull, advogado e político espanhol, é mesmo isso que ele vai fazer.

Segundo Josep Rull, deputado do partido liderado por Puigdemont, o Juntos pela Catalunha, o ex-líder regional irá pedir uma autorização judicial ao juiz Pablo Llarena, do Supremo Tribunal, já nas próximas 24 horas, de modo a poder estar presente na sessão de investidura marcada para a próxima terça-feira, em Barcelona. Segundo o “El País”, a informação foi confirmada por outra deputada do partido, Gemma Geis, que não avançou grandes detalhes sobre o procedimento, assegurando somente que o advogado de Puigdemont está a tratar do assunto

Questionado sobre se Puigdemont irá assistir à sessão mesmo sem autorização, Josep Rull disse apenas: “Haverá sessão. E isso é o que Sáenz de Santamaría [a vice-presidente do Governo espanhol] não queria que acontecesse. Com condições peculiares, mas haverá sessão.” O deputado esclareceu também que Puigdemont irá exigir certas “garantias” antes de regressar, mas não disse quais.

O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu este sábado, preventivamente, a tomada de posse de Carles Puigdemont, antigo líder da Catalunha, a menos que este se apresente pessoalmente no Parlamento e munido de uma autorização judicial. Segundo a nota divulgada após o debate dos magistrados do Constitucional, a tomada de posse “não poderá ser celebrada por meios eletrónicos, como videoconferência, ou por procuração de um outro deputado”, conforme tinham sugerido elementos próximos Puigdemont, que se encontra exilado em Bruxelas. Quaisquer membros do Parlamento que não cumpram a ordem serão penalizados, garantem os magistrados.

Enquanto Puigdemont e os deputados do seu partido insistem numa única via –a da escolha do ex-líder da Catalunha para presidir ao governo regional – os outros partidos independentistas começam a manifestar alguns sinais de impaciência face à ausência de uma solução definitiva. Joan Tarda, da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), diz numa entrevista publicada este domingo no “La Vanguardia” que apesar de o seu partido querer ver Puigdemont a liderar o executivo regional, a grande prioridade é chegar a uma solução de governo já na próxima semana para evitar novas eleições. “Se tivermos que sacrificar Puigdemont, sacrificaremos”, afirmou a deputada.

Puigdemont está acusado de vários delitos, entre eles sedição e rebelião, devido à proclamação de independência feita no ano passado que levou Madrid a acionar o artigo 155 da Constituição, ainda em vigor, e suspender a autonomia da região. Nas eleições de dezembro do ano passado, os independentistas tiveram maioria no parlamento catalão.