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Polícia russa detém líder da oposição. “A prisão de uma única pessoa não tem importância se formos muitos”

OLGA MALTSEVA/GETTY IMAGES

Alexei Navalny foi detido este domingo em Moscovo durante os protestos que ele próprio convocara para denunciar a “fraude” das próximas eleições presidenciais

O líder da oposição russa, Alexei Navalny, foi detido este domingo em Moscovo, enquanto milhares de pessoas se manifestavam, seguindo o seu apelo para denunciarem a “fraude” das eleições presidenciais agendadas para 18 de março.

Alguns minutos depois de ter saudado os manifestantes na rua Tverskaïa, em Moscovo, Alexeï Navalny foi interpelado por um grupo de polícias e levado à força para uma carrinha, segundo imagens divulgadas nas redes sociais pelos seus apoiantes.

"Fui detido. Mas isso não significa nada. Vocês não estão a manifestar-se por mim, mas por vocês e pelo vosso futuro”, escreveu Alexei Navalny no Twitter, a partir da carrinha da polícia para onde foi levado. “A prisão de uma única pessoa não tem importância se formos muitos”, disse ainda.

Em Moscovo, cerca de quatro mil pessoas, segundo estimativas locais, citadas pela AFP, ou aproximadamente mil, de acordo com os números da polícia, juntaram-se no centro da cidade, na Praça Pushkin, perto do Kremlin, tendo sido rodeadas de um forte dispositivo de segurança. Os protestos tinham um alvo muito claro, o Presidente Putin, a quem alguns manifestantes chamaram “ladrão”. “Mais seis anos? Não, obrigada!”, lia-se num dos cartazes, segundo revela o britânico “The Guardian”. Pyotr Kuvshinov, um estudante de 20 anos, disse: “As eleições não serão verdadeiramente eleições se não houver uma escolha. Eles roubaram-nos o nosso candidato”.

Milhares de manifestantes juntaram-se em pelo menos outras 120 cidades de província, nomeadamente em Nijni-Novgorod, Tcheboksari (Rússia Central), Tomsk (Sibéria) e ainda Lakoutsk, no extremo oriente da Rússia,enfrentando temperaturas de -45°C. Segundo a ONG russa OVD-Info, pelo menos 243 pessoas foram detidas em todo o país durante as manifestações. As autoridades tinham emitido um aviso contra os protestos – não autorizados –convocados para este domingo.

Navalny convocou as manifestações depois de a Comissão Eleitoral russa ter rejeitado a sua candidatura às presidenciais de 18 de março, invocando a sua condenação judicial num caso que o próprio denunciou como “fabricado” para o impedir de enfrentar Vladimir Putin. “Em 99% dos casos, a forma de luta política mais segura, efetiva e simples são as manifestações”, escreveu recentemente Navalny no seu blogue. “Por muito que tentem meter medo, não pode haver repressão em massa contra os participantes”. Centenas de manifestantes foram detidos em março e junho de 2017, sobretudo em Moscovo e São Petersburgo, no decurso de outros protestos não autorizados convocados por Navalny.

Vários analistas preveem que Vladimir Putin seja reeleito no escrutínio de março com um resultado histórico de mais de dois terços dos votos, o que lhe permitirá permanecer no Kremlin até 2024. Nalvany disse já temer que a taxa de participação nas eleições seja manipulada. Nas últimas legislativas de setembro de 2016, a abstenção ultrapassou os 50%.

Putin acusou na semana passada Navanly de ser o candidato preferido dos Estados Unidos. Apesar de ser considerado o único político capaz de desafiar verdadeiramente o atual Presidente russo, Navalny tem o apoio de apenas 2% dos eleitores, segundo sondagens recentes citadas pelo “The Guardian”, percentagem que poderia subir se lhe fosse permitido, de facto, fazer campanha e capitalizar o voto daqueles que estão cansados de tanta corrupção e pobreza no país, defendem os seus apoiantes.