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Trump diz-se “ansioso” por entrevista sobre ligações à Rússia

Garantia foi dada aos jornalistas antes de partir para Davos, na Suíça, para participar no Fórum Económico Mundial 2018

Chip Somodevilla

Com Robert Mueller prestes a recolher o depoimento do Presidente sob juramento — e com o conselheiro especial empenhado em apurar se o Presidente cometeu crimes de obstrução à Justiça — Trump voltou a assegurar na quarta-feira que “não houve conluio” com o Kremlin e que nunca tentou impedir que essas suspeitas sejam investigadas

Donald Trump garantiu na quarta-feira à noite não só que está preparado para ser entrevistado por Robert Mueller como está "ansioso" por prestar declarações sob juramento ao conselheiro especial que está a investigar a ingerência russa nas eleições de 2016 e o alegado conluio entre a equipa de campanha do Presidente e o governo de Vladimir Putin.

A garantia foi dada pelo Presidente norte-americano antes de partir para Davos, na Suíça, para participar no Fórum Económico Mundial esta quinta-feira — horas depois de ter sido noticiado que Mueller já entrevistou o ex-diretor do FBI, James Comey, e o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, no âmbito das suas investigações. Fontes garantem que o antecessor de Comey e atual chefe dos inquéritos à Rússia quer apurar igualmente se Trump cometeu crimes de obstrução à Justiça.

Neste momento, os serviços secretos dos EUA já concluíram que Moscovo interferiu na corrida presidencial através de ciberataques e notícias falsas para influenciar o processo a favor de Trump, algo que Putin e Trump continuam a desmentir.

Na semana passada, quando surgiram rumores de que Mueller já estava em contacto com os advogados do Presidente para avançar com a entrevista, Trump disse que era "improvável" vir a ser questionado sobre o assunto porque "não houve conluio" — uma garantia que repetiu ontem aos jornalistas. No passado, repetiu várias vezes que as investigações encabeçadas pelo conselheiro especial desde maio são "uma caça às bruxas", um "embuste" e uma cabala contra ele.

"O timing deste comentário, as circunstâncias das negociações em curso entre a sua equipa legal e Mueller e o próprio historial do Presidente de reverter declarações aparentemente intransigentes devem ser acolhidos com cautela", escrevia na quarta-feira a CNN no rescaldo da garantia feita pelo Presidente. Isto porque, acrescenta o canal, "também ainda não é certo se este passo de Trump integra uma estratégia coordenada com a sua equipa de advogados ou se estamos perante um caso característico em que o Presidente fala sem filtros e deixa os advogados desorientados."

Neste momento, ainda não se sabe como é que a entrevista de Mueller a Trump vai decorrer — se cara-a-cara, se por escrito ou se uma combinação de ambos — nem quando vai acontecer. "Ontem [terça-feira] falámos sobre ser daqui a duas ou três semanas", disse Trump aos jornalistas.

Para a "Vanity Fair", Trump pode estar prestes a morrer pela boca (politicamente). "A entrevista do Presidente com os investigadores do FBI pode vir a ser a sua ruína", apontava ontem a revista. "A confiança de Trump pode, em última instância, ser a coisa que mais o põe em risco — isto porque, sob juramento, não pode exagerar nem apresentar factos erróneos e a aversão do Presidente aos factos é praticamente inédita."

"Corre-se um enorme risco de que sejam prestados falsos testemunhos ou [que Trump cometa] perjúrio", defende o advogado Robert Bennett citado pela revista. "Só se deve deixar um cliente [no caso, o Presidente dos EUA] prestar depoimentos se se tiver a certeza de que ele vai dizer a verdade."