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Internacional

Síria. Voluntários americanos, britânicos e alemães na luta contra a ofensiva turca

Num protesto em Hasaka, na Síria, contra o ataque da Turquia em Afrin, lê-se num cartaz: "Condenamos e denunciamos os ataques do governo turco contra o nosso povo em Afrin"

RODI SAID/REUTERS

As Forças Democráticas Sírias, lideradas pelos curdos, contam agora com o apoio de voluntários estrangeiros que já se encontram em Afrin, na Síria, e garantiram que “vão lutar contra a invasão turca”

Os voluntários norte-americanos, britânicos e alemães que lutaram contra o autoproclamado Estado Islâmico, junto com as forças curdas na Síria, já se encontram na região de Afrin, a zona mais a oeste da região autónoma curda de Rojava, afirmou um militar que acompanha as Forças Democráticas Sírias (FDS) liderada pelos curdos.

A região curda de Afrin está a ser alvo de uma ofensiva do exército turco e do Exército Livre da Síria (uma das principais facções de oposição armada a Bashar al-Assad) apoiado também pela Turquia.

"Os voluntários estrangeiros que combateram em Raqqa e que estão a combater em Deir Zor expressaram o seu desejo de virem a Afrin", disse à agência Reuters Redur Xelil, uma alta patente das FDS.

Recusando informar sobre a hora e dia da partida dos voluntários estrangeiros para Afrin, Xelil garantiu que "eles vão lutar contra a invasão turca".

"Há americanos, britânicos, alemães, diferentes nacionalidades da Europa, da Ásia e da América", informou Xelil.

Turquia já prendeu 150 pessoas por 'propaganda terrorista' nas redes sociais

Um total de 150 pessoas foram detidas na Turquia por "espalharem propaganda terrorista" nas redes sociais sobre a campanha militar turca contra a milícia curda na Síria desde que a operação se iniciou no fim de semana, de acordo com a comunicação social estatal, diz a agência Reuters.

A operação tem como alvo a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), que é considerada por Ancara um grupo terrorista que promove a rebelião no sudeste do país há mais de 30 anos, e acusada de ser o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Políticos, jornalistas e ativistas estão entre as pessoas que foram presas devido às suas publicações nas redes sociais, de acordo com o segundo maior partido da oposição no parlamento turco, o Partido Democrático do Povos (pró-curdo).

A polícia tem operado em 31 províncias, estando 11 suspeitos postos sob custódia e pendentes de julgamento e 7 pessoas foram libertadas, mas restam ainda interrogar 132 pessoas, segundo informações oficiais da polícia citadas pela agência turca Anadolu.

De acordo com a mesma agência, a polícia turca está a monitorizar incessantemente as contas das redes sociais sendo que todos os utilizadores que divulguem "propaganda de grupos terroristas" vão ser julgados e processados.

A repressão por parte de Ancara tem vindo a ser reforçada desde o golpe de estado falhado de 2016. Críticos do governo apontam que os políticos pro-curdos têm sido alvos injustamente.

No total, desde a tentativa do golpe, mais de 50.000 pessoas foram presas ou levadas a julgamento e 150.000 foram despedidas ou suspensas dos seus trabalhos. O governo tem justificado as medidas tomadas com "ameaças à segurança" do país.

Tanques alemães na ofensiva turca provocam mal-estar em Berlim

Na sequência da divulgação de relatórios que dão conta da utilização de tanques de origem alemã por parte do exército turco na ofensiva contra os curdos, vários políticos alemães têm pedido ao governo para cortar a exportação de armas para a Turquia, segundo o jornal britânico BBC.

Os dois ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos países comprometeram-se há duas semanas a reforçar as relações bilaterais.

Os relatórios divulgados na sexta-feira contemplavam a possibilidade de que Berlim aprovasse o pedido de Ancara para melhorar os tanques Leopard-2, tornando-os mais resistentes a explosivos.

Segundo a comunicação social alemã, foram esses tanques Leopard-2 que estiveram envolvidos maioritariamente nos ataques protagonizados pela Turquia contra grupos curdos.

Vários políticos alemães, tanto de esquerda como de direita, já têm vindo criticar esta decisão relativa aos tanques e urgem a que o governo tome uma posição clara sobre a ofensiva turca na região de Afrin.

Norbert Röttgen, membro do partido União Democrata-Cristã (CDU) ao qual pertence a chanceler Angela Merkel, comentou em declarações à rádio BBC 4 que era "totalmente óbvio" que a Alemanha não devia aprovar o pedido da Turquia.

Röttgen considerou ainda que a intervenção turca era "ilegal, contra a lei internacional e contraproducente" no que diz respeito aos esforços por derrotar o autoproclamado Estado Islâmico.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Sigmar Gabriel, referiu esta segunda-feira que já expressou ao seu homólogo turco a preocupação pelo possível impacto humanitário que a ofensiva em Afrin pode vir a ter.

As Nações Unidas estimam que o ataque ao norte da Síria por parte das forças turcas, que se iniciou-se no passado sábado, tenha provocado o desalojamento de 5.000 pessoas.