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Save The Children alvo de ataque à bomba no Afeganistão

NOORULLAH SHIRZADA

Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas no atentado, que teve como alvo os escritórios da ONG britânica em Jalalabad. Fonte no terreno diz que um soldado morreu na troca de tiros com os homens armados. Talibãs afegãos já vieram garantir que não estão por trás do ataque

Um grupo de homens armados detonou explosivos antes de invadir os escritórios da Save The Children na cidade de Jalalabad, no leste do Afeganistão, esta quarta-feira de manhã. O ataque provocou pelo menos 11 feridos, com testemunhas a garantirem que pelo menos um soldado afegão foi morto numa troca de tiros com os atacantes.

Crê-se que havia cerca de 50 funcionários da organização de caridade britânica dentro do edifício à hora do atentado, que começou com a explosão de um carro armadilhado, antes de homens armados terem invadido o espaço com metralhadoras, lançando granadas de propulsão (RPGs) e abrindo fogo contra os soldados afegãos destacados para o local.

O ataque, que começou pelas 9h10 locais (4h40 da madrugada em Lisboa), ainda não foi reivindicado por qualquer grupo. Jalalabad, uma cidade próxima da fronteira com o Paquistão, costuma ser palco de ataques dos talibãs, sendo ainda um bastião do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), onde os militantes do grupo estão muito ativos desde 2015.

Quem está por trás do ataque?

Numa mensagem Twitter, os talibãs rejeitaram a autoria do atentado, que ainda não foi reivindicado e que teve lugar dias depois de um grupo de militantes da rede ter atacado um hotel de luxo em Cabul, a capital afegã, provocando pelo menos 22 mortos, na sua maioria estrangeiros.

Segundo informações avançadas pela polícia a Bilal Sarwary, um jornalista local, há tropas no local a combater pelo menos três homens armados, que continuam a disparar metralhadoras e a lançar granadas a partir dos pisos mais elevados do edifício da organização não-governamental, localizado numa área que alberga outras agências humanitárias.

Também de acordo com Sarwary, pelo menos um soldado afegão já morreu nessa troca de tiros. "Consigo ouvir dois homens, estão à nossa procura", disse um funcionário da Save The Children numa mensagem de WahtsApp citada pela AFP. "Rezem por nós. Informem as forças de segurança."

Em comunicado, a Save The Children disse estar "devastada" pelos acontecimentos. "A nossa grande preocupação tem a ver com a segurança dos nossos funcionários", acrescentou o porta-voz da ONG. "Estamos à espera de mais informações da nossa equipa, para já não podemos tecer mais comentários."

Também em comunicado, a missão da ONU no Afeganistão sublinhou: "Ataques contra civis e contra organizações humanitárias são uma clara violação da lei internacional humanitária e podem corresponder a crimes de guerra."

Ataques a ONG no Afeganistão

A Save The Children está instalada no Afeganistão desde 1976, tendo atualmente em curso programas de apoio humanitário em 16 províncias do país. Segundo dados do grupo, mais de 700 mil crianças afegãs já receberam o seu apoio ao longo dos anos.

A ONG não é a única que tem enfrentado duras condições de trabalho no país, lidando com ataques recorrentes e raptos de funcionários. Em outubro, a Cruz Vermelha anunciou uma drástica redução da sua presença no Afeganistão após sete funcionários seus terem sido mortos em ataques só em 2017.

Em maio do ano passado, homens armados atacaram um albergue gerido pela ONG sueca Operation Mercy, matando um alemão e um guarda afegão. Três anos antes, em julho de 2014, outro grupo matou duas mulheres finlandesas da ONG cristã Herat Assitance Mission (IAM). Em agosto de 2010, dez especialistas em oftalmologia que estavam a trabalhar para a IAM foram abatidos na província do Nuristão. A par disso, em outubro de 2015, um hospital de Kunduz gerido pelos Médicos Sem Fronteiras foi alvo de um outro atentado que vitimou 22 pessoas.