Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Macron será o primeiro chefe de Estado a fazer visita oficial à América de Trump

Macron e Trump encontraram-se à margem da assembleia-geral da ONU em setembro

LUDOVIC MARIN

Casa Branca confirmou na terça-feira que já endereçou convite ao Presidente de França para que viaje até Washington numa data ainda a agendar

Depois de se ter tornado o primeiro Presidente da História dos EUA em quase um século que não foi anfitrião de qualquer visita oficial de um chefe de Estado no seu primeiro ano no poder, Donald Trump vai receber Emmanuel Macron em Washington.

A informação foi primeiro avançada pela CNN na terça-feira e confirmada pouco depois pela porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, que explicou que em breve chegará um anúncio formal da visita do Presidente francês, a ter lugar numa data ainda a agendar.

A designação "visita de Estado" significa que o líder de França, que tomou posse em maio, será recebido com uma cerimónia com pompa e circunstância nos jardins da Casa Branca que vai incluir uma salva de 21 tiros, seguida de um encontro privado com Trump e de uma conferência de imprensa conjunta para jornalistas norte-americanos e franceses.

Macron será ainda convidado de honra de um banquete de Estado, jantares que tipicamente incluem centenas de convidados e que costumam ser meticulosamente planeados pela primeira-dama, no caso Melania Trump.

Será este o plano de festas para a visita oficial do líder francês aos EUA, anunciada meio ano depois de Trump ter sido o convidado especial de Macron para a celebração anual do Dia da Bastilha — que, em 2017, coincidiu com o 100.º aniversário da entrada dos Estados Unidos na I Guerra Mundial.

O "Guardian" aponta que Trump ficou tão inspirado com a parada militar organizada nesse dia pelos franceses em Paris que decidiu convocar um evento semelhante com tropas norte-americanas em Washington meses depois.

O primeiro encontro de Trump e Macron deu-se antes disso, em maio, durante uma viagem dos dois líderes à Bélgica, marcada por um aperto-de-mão tão forte e longo que os nós dos dedos de Trump ficaram ainda mais brancos do que já são. Mais tarde, os dois Presidentes voltaram a encontrar-se em setembro à margem do plenário da assembleia-geral das Nações Unidas em Nova Iorque.

Durante a campanha presidencial, Trump prometeu não organizar qualquer banquete de Estado até os Estados Unidos deixarem de operar com um défice da balança comercial. No início deste ano, o Departamento do Comércio anunciou que esse défice subiu para 50,5 mil milhões de dólares (40,68 mil milhões de euros) em novembro — o mais elevado desde 2012.

Dois anos antes de ter sido eleito, também já tinha criticado Barack Obama por ter convidado o Presidente chinês, Xi Jinping, para um desses jantares. "Eu não organizaria um jantar para ele", declarou na altura. "Arranjava-lhe um hamburguer do McDonald's e dizia-lhe mãos ao trabalho porque ele não pode continuar a desvalorizar [a moeda chinesa]."

Xi, pelo contrário, organizou um banquete oficial para o casal Trump durante a visita oficial do Presidente norte-americano a Pequim, em novembro passado, altura em que o empresário tornado líder dos EUA garantiu que "não culpa a China" por tentar "aproveitar-se" dos norte-americanos a nível comercial.

A declaração espalhou confusão entre jornalistas e analistas, depois de Trump ter passado a campanha presidencial de 2016 a acusar a China de manipular a sua divisa para ganhar avanço nos mercados mundiais. Esta semana, voltou ao ponto de partida ao anunciar a aplicação de pesadas taxas aduaneiras sobre as importações de painéis solares, uma medida que visa sobretudo Pequim, o maior fabricante mundial destes painéis.