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Internacional

Detidos elementos de grupo organizado que sequestrava e torturava migrantes na Líbia

As detenções de cinco líbios e um palestiniano ocorreram após a divulgação nas redes sociais de um vídeo que captava a tortura a que foram submetidos oito migrantes sudaneses, atualmente internados num hospital em Sirte

Os seis elementos de um grupo organizado acusado de sequestrar e torturar migrantes africanos na Líbia foram detidos perto da cidade líbia de Sirte, divulgaram esta quarta-feira forças leais ao governo de união nacional líbio.

"Trata-se de uma quadrilha composta por cinco líbios e um palestiniano (...) que torturou oito migrantes que estão atualmente internados no hospital Ibn sina", em Sirte, a 450 quilómetros a leste da capital líbia (Tripoli), informou, através da rede social Facebook, um grupo armado que lutou naquela região contra os extremistas do Estado Islâmico (EI), ao lado das forças do governo de união nacional líbio.

As detenções ocorreram em Qaddahiya, uma localidade a sul de Sirte, "após a divulgação nas redes sociais de um vídeo que mostrava cenas de tortura insustentáveis contra migrantes africanos", segundo a mesma fonte, que precisou que as vítimas são oriundas do Sudão.

O vídeo em questão mostrava os migrantes a serem vítimas de graves queimaduras, ao mesmo tempo que os sequestradores exigiam um resgate às famílias dos migrantes.

A Líbia, onde autoridades políticas rivais e diversas milícias disputam o poder, está imersa no caos desde a queda do regime de Muammar Kadhafi, em outubro de 2011.

O governo de união nacional líbio, com sede em Tripoli, é reconhecido pela comunidade internacional, mas enfrenta uma autoridade paralela que exerce o poder no leste do país.

A Líbia tornou-se a principal plataforma para migrantes e refugiados oriundos da África subsariana tentarem chegar, via mar, à Europa e é muitas vezes criticada a nível internacional pelos abusos cometidos contra estas pessoas.

Esta realidade ganhou uma maior exposição desde que um documentário da estação norte-americana CNN, divulgado em novembro de 2017, mostrou migrantes africanos a serem vendidos "como escravos" na Líbia.

Em 2017, pelo menos 3.116 migrantes morreram ou desapareceram ao tentar atravessar o Mediterrâneo e alcançar as costas europeias. Deste total, 2.833 morreram ou desapareceram ao largo da Líbia, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Para tentar travar a travessia de migrantes, as autoridades italianas firmaram acordos controversos com as entidades líbias e com grupos armados locais.