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“Sinto muito”: a primeira mulher a usar o “hijab” numa campanha publicitária demite-se

Captura de ecrã

A britânica Amena Khan estava entusiasmada por fazer parte de uma campanha publicitária que priorizava as diferenças culturais e celebrava a inclusão. Após alguns tweets da modelo com comentários que criticavam a política de Israel terem sido publicados por alguns meios de comunicação social, demitiu-se. “Com profundo arrependimento, decidi sair da campanha”

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

A blogger Amena Khan queria marcar a diferença e defender a diversidade por ser a primeira mulher muçulmana a usar o “hijab” numa campanha publicitária de produtos de cabelo da L'Oreal. E assim começou por ser até esta segunda-feira ter decidido demitir-se por terem sido publicados nos meios de comunicação social tweets da modelo com comentários antissemitas, em que criticava o governo de Israel.

Instagram

“Com profundo arrependimento, decidi retirar-me desta campanha, porque os comentários atuais prejudicam o sentimento positivo e inclusivo que eu queria transmitir”, clarificou numa publicação feita no Instagram. As mensagens, publicadas no Twitter em 2014, foram, entretanto, apagadas e a britânica pediu desculpa por toda a “tristeza e dor” que possa ter causado. “Sinto muito”, acrescentou.

A também modelo mostrou-se descontente por sentir-se na obrigação de se demitir de uma campanha na qual acreditava “tanto”: “Recentemente, participei numa campanha que me entusiasmou porque celebrava a inclusão.”

Na campanha da L'Oreal, Amena Khan faz publicidade a um champô de véu islâmico posto. “Eles colocaram realmente uma mulher de “hijab” - cujo cabelo não se consegue ver - numa campanha para fios de cabelo. Porque o que valorizam são as vozes que temos”, disse à revista “Vogue”. O objetivo da modelo britânica ao ser o rosto desta campanha? Inspirar outras mulheres que usam o véu islâmico, porque é uma plataforma para quem não se encaixa no cânone de beleza.

A L'Oreal, entretanto, aprovou a demissão da modelo: “Agradecemos o facto de Amena Khan se ter desculpado pelo que disse há quatro anos e pelas reações que possam ter espoletado e estamos de acordo com a sua decisão de renunciar a campanha”.

Esta não é a primeira vez que uma campanha publicitária daquela marca, idealizada para promover a diversidade cultural, é alvo de polémica nas redes sociais. No verão passado, e também no Reino Unido, o grupo separou-se de uma modelo negra e transgénero, Munroe Bergdorf, depois da difusão de declarações no Facebook acusando a população branca de violência racial.