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“O som das explosões lembrava aviões a aterrarem por cima de nós”: o vulcão que voltou a assustar as Filipinas

FRANCIS R. MALASIG / EPA

Mais de 50 mil pessoas foram retiradas das suas casas e levadas para centros de evacuação devido à iminência de uma erupção mais violenta do vulcão mais ativo das Filipinas. As cinzas cobriram o céu, as explosões projetaram lava até 700 metros acima da cratera do Mayon e as autoridades receiam que seja lançado fluxo piroplástico - corrente ultra-rápida de gás - capaz de sufocar as pessoas em segundos

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

O dia passou a ser noite em Albay, no leste das Filipinas. As cinzas e fragmentos de lava que o vulcão Mayon, o mais ativo daquele país, começou a deitar esta segunda-feira criaram uma camada cinzenta no céu que impede o sol de aparecer e ameaçam pessoas, casas, escolas. Vidas. Perante os riscos associados à crescente atividade sísmica - que começou no fim de semana passado -, as autoridades locais já elevaram o nível de alerta para quatro - numa escala que vai até cinco - e ordenaram a retirada de mais de 50 mil habitantes devido à iminência de uma erupção maior e mais violenta do vulcão, que pode acontecer nas próximas horas ou dias.

Durante esta madrugada, as explosões começaram a projetar lava até 700 metros acima da cratera do vulcão e as nuvens de cinza alcançaram três quilómetros, impossibilitando a visibilidade de quem lá estava. Girlie Panesa, uma habitante local, citada pela BBC, circulava pela aldeia de mota. De "um momento para o outro", o seu capacete ficou cheio de cinzas e teve de sair do local em que estava, por não conseguir ver nada. As autoridades locais temem agora uma erupção “violenta”.

Não existem, no entanto, relatos de vítimas relacionadas com as explosões do vulcão. Os habitantes locais foram alertados para continuarem atentos e evitarem as zonas de perigo, que se estendem a um raio de oito quilómetros do centro do vulcão.

“Não conseguimos dormir na noite passada por causa do barulho que vinha do vulcão. Os sons das explosões lembravam aviões prestes a aterrarem por cima de nós”, disse à Associated Press Quintin Velardo, um agricultor de 59 anos que estava num centro de evacuação com a sua mulher, filhos e netos.

Apesar do perigo, Quintin Velardo disse que necessitava de voltar à aldeia onde mora (a cerca de quinco quilómetros do vulcão) para ir buscar o gado para permanecerem em segurança.

As pessoas tentam levar o que conseguem das suas casas: alimentos, roupa, o que for necessário para garantir a segurança e conforto de quem tem de sair de casa.

As autoridades tiveram dificuldade em evitar que habitantes regressassem para ver como estavam as suas casas e plantações. Um responsável local admitiu mesmo ordenar o corte de luz e água na zona interdita para desincentivar o regresso a casa.

Habitantes locais afirmam que toda a cratera do vulcão parecia que estava em “fogo” devido à lava. Numa nota, o especialista em vulcões Renato Solidum alertou que a erupção do Mayon pode ser semelhante à que ocorreu em 2001, que deitou fluxo piroplástico, uma corrente ultra-rápida de gás - capaz de sufocar as pessoas em segundos - e material vulcânico que pode descer pela cratera de um vulcão a uma velocidade superior a 430 quilómetros por hora, alcançando temperaturas superiores a 1800 graus centígrados. Caso a erupção crie fluxos piroplásticos, a área que está mais próxima do vulcão poderá ser devastada, de acordo com a revista “Inverse” dedicada à Ciência.

As aulas nas escolas em Albay foram suspensas como medida de precaução e o governador de Albay aconselhou quem não quiser deslocar-se para os centros de evacuação a permanecer em casa e com máscaras faciais para não inalar as cinzas que o vulcão deita há dias e que já atingiu aldeias a mais de nove quilómetros de distância do Mayon.

O Mayon - localizado a cerca de 490 quilómetros de Manila, capital das Filipinas - é o vulcão mais ativo dos 22 existentes naquele país. Nos últimos 400 anos já entrou em erupção pelo menos 40 vezes e a mais fatal ocorreu em 1814, matando mais de 1200 pessoas. Em 2013, cinco alpinistas faleceram devido a rochas que foram atiradas por uma explosão violenta do mesmo.