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Ainda Jerusalém. Um americano em Israel, um palestiniano em Bruxelas

Mike Pence no Knesset

ARIEL SCHALIT / REUTERS

Número dois da administração Trump acabou de anunciar que mudança da embaixada de Telavive para a cidade santa vai ser antecipada para o próximo ano. No coração da União Europeia, líder da Autoridade Palestiniana obteve apoio renovado do bloco para que Jerusalém Oriental venha a ser a capital do futuro Estado da Palestina

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, anunciou na segunda-feira, durante uma visita oficial a Israel, que a embaixada norte-americana no Estado hebraico vai ser mudada de Telavive para Jerusalém até ao final de 2019, um ano antes do previsto e de acordo com a controversa promessa feita por Donald Trump no ano passado — que, entre outras coisas, veio pôr os EUA em rota de colisão com 128 países nas Nações Unidas.

Recebido com uma ovação de pé pelos deputados do Knesset (Parlamento israelita), Pence proferiu um discurso em que sublinhou que “a América está ao lado de Israel”, sob protestos da aliança conjunta árabe, cujos legisladores ergueram cartazes em defesa da mesquita de Al-Aqsa antes de terem sido removidos à força do plenário.

Deputados da Lista Conjunta Árabe foram removidos à força do Knesset por causa de protesto contra EUA

Deputados da Lista Conjunta Árabe foram removidos à força do Knesset por causa de protesto contra EUA

Anadolu Agency / Getty Images

“Estamos ao lado de Israel porque a vossa causa é a nossa causa, os vossos valores são os nossos valores e a vossa luta é a nossa luta”, sublinhou o número dois da administração Trump. “Estamos ao lado de Israel porque acreditamos no que é correto acima do que é errado, no bem acima do mal, na liberdade acima da tirania”, acrescentou sob fortes aplausos, naquela que foi a primeira vez que um vice-Presidente dos EUA discursou no Knesset.

À mesma hora desse discurso, o Presidente da Autoridade Palestiniana encontrava-se com a chefe da diplomacia europeia em Bruxelas, onde, como apontou a Reuters, obteve renovado apoio da União Europeia à causa de Jerusalém Oriental vir a ser a capital do futuro Estado da Palestina.

“Apesar de [Mahmoud] Abbas não ter feito referência ao passo de Trump sobre Jerusalém nem à visita de Mike Pence à cidade, na segunda-feira, a sua presença na sede da UE em Bruxelas foi aproveitada por responsáveis europeus para voltarem a opor-se à decisão que Trump anunciou a 6 de dezembro, sobre a mudança da embaixada dos EUA para Jerusalém”, aponta a agência.

“No que pareceu ser uma referência indireta ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, [Federica] Mogherini pediu a todos os envolvidos no processo que falem e ajam ‘de forma sábia’ e com sentido de responsabilidade”, acrescenta a Reuters.

“Quero garantir ao Presidente Abbas que a União Europeia continua firmemente comprometida com a solução de dois Estados, com Jerusalém enquanto capital partilhada desses dois Estados”, sublinhou a chefe da diplomacia da UE.

Abbas e Mogherini em Bruxelas

Abbas e Mogherini em Bruxelas

EMMANUEL DUNAND / AFP / GETTY IMAGES

Antes da chegada de Abbas, Mogherini foi mais perentória nas suas declarações públicas sobre o assunto, sublinhando que “existe claramente um problema quanto a Jerusalém” e que esse “é um eufemismo diplomático”.

Já depois do encontro com Abbas, fez questão de sublinhar que, apesar do passo controverso de Washington, a UE quer continuar a trabalhar com os Estados Unidos para se avançar com as negociações de paz no Médio Oriente, sublinhando que começou a discutir isso mesmo com Pence e com o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, no final do ano.

Segundo informações avançadas por Saeb Erekat, secretário-geral do Comité Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e chefe das negociações com Israel, esse plano integra 13 alíneas, numa lista que é encabeçada pela declaração de Jerusalém como capital de Israel.

Também de acordo com as informações passadas por Erekat num encontro do Conselho Central Palestiniano, há uma semana, isto traduz-se “no fim da questão Jerusalém”, porque nenhum governo israelita irá aceitar negociar o futuro da disputada cidade depois de uma administração norte-americana a ter reconhecido como capital dos israelitas.

O terceiro ponto da lista prevê a anexação a Israel de grandes “blocos” de colonatos nos territórios palestinianos ocupados no prazo máximo de dois a três meses. Segundo Erekat, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, propôs a anexação de 15% dos colonatos, contra 10% propostos por Trump.

Esses colonatos estão situados na Cisjordânia, território palestiniano ocupado pelas forças hebraicas desde 1967, a par de Jerusalém Oriental. Até hoje, nunca nenhum Presidente norte-americano tinha oferecido Jerusalém a Israel, uma cidade que os israelitas dizem ser a sua capital por direito, apesar de ser extremamente importante não só para os judeus como para os cristãos e os muçulmanos.