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Internacional

Senado dos EUA volta a tentar desbloquear financiamento de serviços federais

Drew Angerer

O governo federal está paralisado desde a meia-noite de sexta para sábado, na véspera do primeiro aniversário de Donald Trump no poder, quando os dois partidos falharam em alcançar um acordo no Senado para garantir o financiamento da administração até fevereiro. Presidente aponta o dedo aos democratas, apesar de ser o seu Partido Republicano que controla as duas câmaras do Congresso

O Senado norte-americano vai prosseguir as negociações sobre um orçamento provisório, prevendo-se para esta segunda-feira a votação de um eventual acordo que permita reabrir a administração federal, encerrada parcialmente deste sexta-feira, na véspera do primeiro aniversário da administração de Donald Trump.

Sem um acordo orçamental entre os republicanos, que controlam as duas câmaras do Congresso e a Casa Branca, e os democratas, e igualmente sem um acordo interpartidário para uma segunda votação prevista para domingo, o líder da maioria republicana no Senato, Mitch McConnell, anunciou que as negociações serão retomadas hoje, numa votação agendada para o meio-dia (17h em Lisboa).

A votos vai um projeto-lei que permita manter a administração federal em funcionamento até ao próximo dia 3 de fevereiro, especificou McConnell. A proposta serve, acima de tudo, para comprar mais tempo aos republicanos e aos democratas para que possam negociar orçamentos definitivos para o ano fiscal de 2018, não sendo para já claro que esteja garantido o mínimo de 60 votos necessários para que a iniciativa seja aprovada.

“Ainda temos de alcançar um acordo para seguir em frente”, disse ontem à noite Chuck Schumer, o líder da minoria democrata na câmara alta do Congresso. Os republicanos estão cada vez mais confiantes de que, face às críticas que os democratas enfrentam por fazerem finca-pé quanto a propostas de proteção de imigrantes, acabarão por ceder para não serem responsabilizados pela paralisação parcial do governo — isto apesar de serem os republicanos que detêm maioria nas duas câmaras, para além de controlarem a Casa Branca.

Ontem, a administração Trump deixou claro que os republicanos não vão negociar com os democratas sobre a imigração até que esta situação seja ultrapassada.

O governo federal norte-americano está paralisado parcialmente desde a meia-noite de sexta para sábado, situação conhecida como ‘shutdown’, devido à falta de um acordo entre republicanos e democratas no Senado sobre uma proposta de orçamento provisório para manter os serviços a funcionar.

Os democratas condicionaram o seu apoio ao projeto orçamental à regularização de cerca de 800 mil jovens imigrantes sem documentos, conhecidos como 'Dreamers' ('sonhadores'), que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças.

Em outubro de 2013, durante a presidência de Barack Obama, um bloqueio orçamental semelhante levou a 16 dias de paralisação da maior parte dos serviços públicos nos Estados Unidos. Na altura, o empresário Trump — que, enquanto Presidente, passou este fim-de-semana a culpar a minoria democrata pelo encerramento — disse numa entrevista à Fox News que é "sempre responsabilidade do Presidente" quando isto acontece.

"Se me peguntam quem é que devia ser despedido", disse à data o agora Presidente, referindo-se às responsabilidades pela paralisação dos serviços federais, "tem de se começar sempre por cima. Os problemas começam de cima e têm de ser resolvidos a partir daí e o líder é o Presidente. Ele tem de juntar toda a gente numa sala e liderar."

Quando se olhar para trás, acrescentou então Trump, "ninguém vai falar de quem era o líder da Câmara [dos Representantes], o líder do Senado nem quem estava a gerir as coisas em Washington. Portanto penso que a pressão está sobre o Presidente."