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Exército britânico cita ameaças da Rússia para pedir reforço de investimento na Defesa

Helicópteros Lince das Forças Armadas britânicas sobrevoam a ponte da Torre em Londres

Kirsty O'Connor - PA Images

Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas vai sublinhar esta segunda-feira que os russos já ultrapassaram o Reino Unido no que toca à despesa e às capacidades de defesa do Estado e que isso deixa os britânicos vulneráveis

O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Reino Unido, sir Nick Carter, vai avisar esta segunda-feira o Governo britânico que Londres segue atrás de Moscovo no que toca ao investimento e às capacidades de Defesa estatais.

Media britânicos como o “Guardian” apontam que Carter vai usar o seu discurso esta tarde em Londres para forçar um debate público sobre os gastos em Defesa, que os chefes militares e legisladores conservadores dizem que caíram para níveis perigosamente baixos nos últimos anos.

Ao que tudo indica, Carter vai sublinhar que o facto de a Rússia ter ultrapassado os britânicos deixa o país exposto a ameaças de risco, em particular ao tipo de ameaças pouco ortodoxas e híbridas praticadas pela Rússia e por outros Estados hostis. Entre essas, o chefe das forças armadas destacará os ciberataques que têm como alvos tanto o Exército como civis.

“A nossa capacidade para prevenir e responder a ameaças vai erodir-se se não nos mantivermos a par dos nossos adversários”, lê-se num excerto desse discurso, que será proferido numa altura em que o Ministério da Defesa está a aumentar as pressões sobre o Tesouro para que haja um aumento significativo da despesa nos três ramos militares — Exército, Marinha e Força Aérea.

Carter vai sublinhar que “Reino Unido não está imune” às ameaças de guerra modernas

Carter vai sublinhar que “Reino Unido não está imune” às ameaças de guerra modernas

Steve Parsons - PA Images

Os ditos Estados hostis, irá acrescentar Carter, estão a ficar cada vez mais criativos nas formas como exploram as linhas que separam cenários de guerra e de paz. “Temos de ter noção do que está a acontecer à nossa volta e de que as nossas capacidades de ação vão ficar massivamente constrangidas. Velocidade na tomada de decisões, velocidade no destacamento e capacidades modernizadas são essenciais se queremos garantir dissuasão realista” desses inimigos. “A altura para dar resposta a essas ameaças é agora, não podemos dar-nos ao luxo de ficar à espera.”

Os avisos vão ser feitos num momento em que a Rússia, mas também a Coreia do Norte, o Irão e a China, têm sido responsabilizados por uma sucessão de ciberataques nos Estados Unidos e na Europa. No seu discurso, Carter vai lembrar que Moscovo tem estado a criar uma força expedicionária cada vez mais agressiva com capacidades que vão além das do Exército britânico, dando como exemplo o equipamento que os russos têm usado na guerra na Síria.

Apesar de poucos aliados acreditarem que uma invasão russa dos Estados do Báltico ou de outras zonas do Leste europeu vá acontecer em breve, tem havido crescentes preocupações quanto às capacidades de Moscovo para causar distúrbios no Ocidente através de ciberataques e disseminação de propaganda, a par do crescente envolvimento dos russos no Médio Oriente.

“As ameaças que enfrentamos não estão a milhares de quilómetros de distância mas à porta da Europa”, vai sublinhar Carter. “Temos visto como a ciberguerra afeta combates no terreno e também as vidas das pessoas comuns. Aqui no Reino Unido não estamos imunes a isso.”

Em novembro, a primeira-ministra britânica, Theresa May, já tinha aproveitado um evento público para acusar a Rússia de estar a imiscuir-se em processos eleitorais no Ocidente e a plantar notícias falsas nas redes sociais para “fazer da informação uma arma” de guerra e causar discórdia entre os aliados.