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Internacional

Comerciantes de Gaza em greve contra agravamento das condições de vida

SAID KHATIB/GETTY

A Faixa de Gaza está desde 2007 sob bloqueio terreste, marítimo e aéreo de Israel. O “nível de declínio sem precedentes” da economia é um dos motivos da greve, segundo um comunicado da Associação de Empresários de Gaza

O sector privado da Faixa de Gaza apelou a uma greve geral para protestar contra o agravamento das condições de vida devido ao bloqueio económico e comercial e que está a ameaçar a economia do território palestiniano.

Num comunicado publicado a semana passada, a Associação de Empresários de Gaza (“Gaza Businessmen Association”) anunciou uma greve nas instituições comerciais e económicas para esta segunda-feira, iniciando-se às 8h (6h em Lisboa) e prolongando-se durante seis horas.

“Este apelo urgente surge como último recurso depois das condições de vida catastróficas da Faixa de Gaza terem voltado à estaca zero”, lê se no comunicado.

Argumentando que a economia alcançou um “nível de declínio sem precedentes”, o comunicado refere também que “a taxa de desemprego se encontra nos 46%, a taxa de pobreza ultrapassa os 65% e a taxa de insegurança alimentar nas famílias alcançou os 50%”.

A estes dados junta-se o facto de o número de comerciantes presos por falta de pagamento de dívidas estar a aumentar, ou a constante escassez de água potável, eletricidade e medicamentos - algo que para a Associação de Comerciantes de Gaza “é reflexo do défice económico geral”.

“Desejamos com esta greve passar uma mensagem aos nossos líderes - aos líderes árabes, aos líderes internacionais e às Nações Unidas”, diz Maher al-Taba, membro da Câmara de Comércio de Gaza, citado pela Al Jazeera.

A Faixa de Gaza está desde 2007 condicionada por um bloqueio terreste, marítimo e aéreo imposto por Israel que conta também com o controlo do Egito na fronteira de Rafah, a sul, a única “porta de acesso” da população daquele enclave costeiro para o resto do mundo.

Até recentemente, Gaza esteve controlada pelo Hamas mas desde 2014 que a organização islâmica acordou com a Fatah deixar o controlo do território nas mãos da Autoridade Nacional Palestiniana.

Apesar das esperanças de que o governo unitário aliviasse as aflições económicas que os habitantes de Gaza têm sofrido, estas parecem ter sido destruídas uma vez que o processo de reconciliação nacional está estagnado.