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Internacional

Síria: Nove mortos em ofensiva turca contra região controlada pelos curdos

Num protesto em Hasaka, na Síria, contra o ataque da Turquia em Afrin, lê-se num cartaz: "Condenamos e denunciamos os ataques do governo turco contra o nosso povo em Afrin"

RODI SAID/REUTERS

O exército turco avançou este sábado para a região de Afrin, na Síria, num ataque dirigido à milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), confirmando as ameaças feitas nos últimos dias pelo presidente turco Recep Tayyip Erdoğan

Uma série de bombardeamentos turcos na região de Afrin, situada no nordeste da Síria, provocaram este sábado nove mortos e 13 feridos, na sua maioria civis, segundo a Reuters. O ataque lançado pela Turquia teve como alvo a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), que tem sido um importante aliado dos Estados Unidos na guerra contra o autodenominado Estado Islâmico, o que poderá indicar um aumento das tensões entre Ankara e Washington.

Segundo declarações de Birusk Hasakeh, porta-voz das YPG em Afrin, os ataques provocaram a morte de pelo menos seis civis e três combatentes, para além de terem feito 13 feridos. O braço político das YPG, o Partido da União Democrática (PYD), aponta para outros números, indicando pelo menos 25 feridos entre os civis. Por seu turno, a Turquia referiu que houve vítimas entre os combatentes curdos.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, tinha prometido expandir as suas operações contra o YPG, visto pela Turquia como o ramo sírio do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que promove a rebelião no sudeste da Turquia há mais de 30 anos e é considerado por Ancara e os seus aliados ocidentais uma organização terrorista.

Segundo os militares turcos, os ataques dete sábado atingiram 108 alvos. "A primeira etapa foi levada a cabo pelas forças áreas militares e praticamente todos os alvos foram destruídos", afirmou o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim. Para domingo foram anunciadas "as atividades necessárias", dependendo dos desenvolvimentos. A ofensiva militar terrestre e aérea foi batizada com o nome "Operação Olive Branch" (ramo de oliveira).

Os Estados Unidos encaram com preocupação a visão de Ankara sobre as YPG e fonte do Pentágono, citada pela Reuters, pediu este sábado para que as atenções se focassem no combate ao autodenominado Estado Islâmico. Também Moscovo já manifestou a sua preocupação, tirou as suas tropas de Afrin, apelando para "contenção" mas dizendo que não vai interferir. O Reino Unido, por sua vez, fez saber que compreende o "interesse legítimo" da Turquia em garantir a segurança das suas fronteiras.

A Síria já denunciou o "ataque brutal" e a "agressão" da Turquia. A região de Afrin acolhe mais de um milhão de pessoas, incluindo deslocados devido à guerra que está a devastar a Síria.