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Puigdemont faz primeira deslocação fora da Bélgica e vai à Dinamarca

Yves Herman / Reuters

O ex-chefe do governo autónomo da Catalunha participará numa conferência na Dinamarca, naquela que será a sua primeira deslocação desde que abandonou Espanha, para fugir à justiça

O ex-chefe do governo autónomo da Catalunha, Carles Puigdemont, vai intervir na segunda-feira numa conferência na Dinamarca, naquela que será a sua primeira deslocação fora da Bélgica, onde permanece desde outubro fugido à justiça espanhola.

"A viagem do presidente Puigdemont à Dinamarca está prevista para a próxima semana", indicou em declarações à comunicação social em Barcelona a porta-voz do grupo parlamentar do ex-chefe do governo autónomo catalão "Juntos pela Catalunha" ("Junts pel Catalunya", centro-direita, independentista), Elsa Artadi.

Carles Puigdemont vai participar na segunda-feira num debate na Universidade de Copenhaga subordinado ao tema "A Catalunha e a Europa na encruzilhada da democracia?".

Na liderança do executivo catalão desde janeiro de 2016, Puigdemont e a sua equipa governativa foram destituídos pelo governo central de Madrid após a declaração unilateral de independência de uma "República catalã", feita em Barcelona no passado dia 27 de outubro.

As autoridades espanholas acusaram então o presidente catalão destituído dos crimes de sedição, rebelião e peculato.

Inicialmente, a justiça espanhola emitiu um mandado de captura europeu contra Puigdemont, mas a ordem seria retirada em dezembro, o que permite ao ex-chefe do governo autónomo catalão e aos outros quatros membros do executivo destituído, que também estão na Bélgica, viajar para fora do território belga.

"Eles são livres nos seus movimentos dentro do seio da União Europeia (UE), como não podia ser de outra forma, mas não em Espanha, o que constitui uma anomalia", declarou Elsa Artadi.

A conferência em Copenhaga acontece numa altura em que estão a decorrer negociações sobre a escolha do próximo presidente do governo autónomo da Catalunha, na sequência das eleições regionais de 21 de dezembro, escrutínio que permitiu aos independentistas manter uma maioria parlamentar absoluta.

Puigdemont é o principal candidato, mas quer ser investido à distância, de forma a evitar uma possível detenção assim que pisar território espanhol.

Numa entrevista à Catalunya Radio, Puigdemont disse esta sexta-feira que é "viável" ser presidente do governo catalão (também conhecido como Generalitat) desde Bruxelas em virtude do uso das novas tecnologias.

E acrescentou que não pode exercer o cargo como "presidiário" em Espanha e que, por isso, só admite renunciar caso lhe venha a ser retirado apoio parlamentar, em Barcelona.

O governo de Madrid já avisou que se opõe ao cenário de uma presidência ausente.
Esta viagem à Dinamarca também permite a Puigdemont contornar alguns contratempos administrativos: os cidadãos europeus podem viver na Bélgica sem autorização de residência durante um período de três meses. Após este período, devem teoricamente deixar o território.

Caso não realizasse esta deslocação a Copenhaga, Puigdemont teria de sair do território belga até ao próximo dia 30 de janeiro.

Quando regressar da Dinamarca, o ex-chefe do governo autónomo catalão poderá ficar na Bélgica por mais três meses, confirmou o serviço de estrangeiros belga quando contactado pela agência noticiosa francesa France Presse (AFP).