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Novo Presidente do Zimbabwe promete “eleições livres e justas” até junho

O novo Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa (esq), ao lado de Robert Mugabe e da mulher deste em 2016

JEKESAI NJIKIZANA / AFP / Getty Images

Emmerson Mnangagwa, que assumiu o poder em novembro após a deposição de Robert Mugabe, diz que vai convidar observadores da Commonwealth para monitorizarem o plebiscito

Emmerson Mnangagwa, o homem que assumiu a presidência do Zimbabwe após a deposição de Robert Mugabe ao final de 37 anos no poder, prometeu esta sexta-feira que vai convocar "eleições livres e justas" no país "dentro de quatro ou cinco meses", naquele que será o primeiro plebiscito a ter lugar na nação africana desde o afastamento de Mugabe em novembro passado.

"O Zimbabwe vai ter eleições dentro de quatro ou cinco meses e temos de rezar por paz, paz e paz", declarou o homem que foi o braço-direito de Mugabe durante décadas, durante uma visita a Moçambique. "Vamos garantir que o Zimbabwe tem eleições livres, credíveis, justas e de resultados indisputáveis para que o Zimbabwe possa envolver-se com o mundo enquanto Estado democrático certificado", acrescentou Mnangagwa, citado por um jornal do governo.

Sob a atual Constituição, o novo Presidente é obrigado a convocar eleições entre 22 de julho e 22 de agosto, mas o parlamento pode votar pela sua própria dissolução para antecipar a ida às urnas como prometido hoje pelo líder interino, isto numa altura em que o partido no poder, o Zanu-PF, controla dois terços dos assentos parlamentares.

Ontem, antes da visita a Moçambique, Mnangagwa deu uma entrevista ao "Financial Times" na qual revelou o seu empenho em devolver o Zimbabwe à Commonwealth, 16 anos depois de a ex-colónia britânica ter sido suspensa da organização por causa de abusos de direitos humanos.

Na mesma entrevista, o Presidente disse acreditar que o Brexit vai ajudar a reforçar as relações com o Reino Unido. Os britânicos, referiu, "precisam de nós e nós vamos garantir que nos aproximamos deles. Face ao que eles perderam com o Brexit, podem vir para aqui e recuperar a partir do Zimbabwe."

As próximas eleições, tidas como um teste-chave às referências democráticas do novo Presidente do Zanu-PF, são cruciais para desbloquear um pacote de assistência financeira da qual o país depende, bem como para firmar uma reaproximação ao Ocidente depois de 37 anos de crescente isolamento diplomático ao leme de Mugabe.

Em novembro, o chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, já tinha indicado que o Reino Unido está disposto a ajudar o país a estabilizar o seu sistema monetário e a emprestar-lhe dinheiro para poder saldar as suas dívidas junto do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento — apoios que, sublinhou na altura, vão depender dos "progressos democráticos" registados, ou não, ao longo deste ano.

Na entrevista ao FT, Mnangagwa confirmou onte, que observadores da Commonwealth vão ser convidados a juntar-se aos da ONU e da União Europeia na monitorização do voto, uma semana depois de a Comissão Eleitoral ter anunciado uma extensão do prazo para a inscrição de eleitores — neste momento, aponta o organismo, só 5 dos 7 milhões de pessoas qualificadas para votar estão registadas no novo sistema biométrico criado para combater fraudes eleitorais.

Neste momento, muitos analistas continuam desconfiados das intenções do novo Presidente, ex-chefe da agência de espionagem, questionando o seu desejo e capacidades para fazer o Zanu-PF abandonar as suas táticas de intimidação e violência que o ajudaram a permanecer no poder durante quase quatro décadas.

Entre os críticos conta-se Jonathan Moyo, aliado de longa data de Mugabe, que esta semana acusou os novos líderes do Zimbabwe de terem medo das urnas. "Eles não querem eleições livres e justas, quanto mais eleições credíveis", disse à BBC.