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EUA. Casal nega maus-tratos aos 13 filhos. Vizinhos e procurador descrevem “casa do terror”

FREDERIC J. BROWN/GETTY

David Turpin e Louise Turpin foram esta quinta-feira formalmente acusados de 38 crimes, entre eles tortura e sequestro dos 13 filhos. Casal garante estar inocente

“Pareciam vampiros, muito pálidos”. “Só saíam de casa à noite”. “Agora percebemos que era uma casa de terror.” Os relatos são de alguns vizinhos do casal norte-americano que mantinha 13 filhos fechados em casa com maus-tratos em Perris, na Califórnia. David Turpin e Louise Turpin foram esta quinta-feira formalmente acusados de 38 crimes, entre eles tortura e sequestro. O progenitor foi também acusado de abuso sexual de uma filha menor. Se forem considerados culpados, ambos podem ser condenados a uma pena de 94 anos de prisão ou prisão perpétua.

“Estão em causa abusos emocionais e físicos severos e conduta depravada. Os abusos eram horríficos...envolviam agressões e estrangulamento ”, afirmou na quinta-feira o procurador do condado de Riverside, Mike Hestrin, citado pela CNN.

Segundo o responsável, as vítimas – com idades compreendidas entre os dois e os 29 anos – estão agora em “boas mãos” a receber todo o apoio necessário. Mike Hestrin disse ainda acreditar que a situação de maus-tratos se arrastava desde o período em que a família vivia em Fort Worth, no Texas.

Estavam mal nutridos, acorrentados e sujos, exceto o bebé de dois anos. Eram frequentemente agredidos e proibidos de dormir durante a noite. Só podiam tomar banho uma vez por ano e eram impedidos de comer a maior parte das vezes, mas os pais faziam questão de fazer as refeições ou comer doces junto dos filhos. “Era tortura. os pais compravam comida para eles: tarte de abóbora e maçã. Deixavam a comida à vista e não os deixavam comer”, acrescentou.

Há quatro anos que as crianças não iam ao médico e nunca nenhuma delas foi a uma consulta de dentista. Eram alunas do ensino doméstico e raramente viam os vizinhos. Mike Hestrin sublinhou ainda que os maus-tratos causaram atrasos cognitivos, pelo que a maior parte da vítimas parecem ter uma idade inferior.

O procurador elogiou também a “coragem” da filha de 17 anos que conseguiu fugir de casa pela janela e ligou para o número de emergência a partir de um telemóvel que encontrou. E adiantou ainda que os diários dos filhos deverão constituir “fortes provas” dos crimes cometidos pelo casal.

No tribunal de Riverside, na Califórnia, David Turpin e Louise Turpin garantiram estar inocentes. Os advogados admitiram que será um “desafio” defender os pais, face ao número e à natureza dos crimes, mas insistiram também na presunção de inocência dos dois. “O que gostaria de dizer é que até prova em contrário os nossos clientes são inocentes”, declarou David Macher, um dos advogados.