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Internacional

Trump cancela visita ao Reino Unido por causa de suposta decisão de Obama

May foi a primeira líder estrangeira a ser recebida por Trump na Casa Branca após a sua tomada de posse há um ano

BRENDAN SMIALOWSKI

Presidente norte-americano tinha agendada para fevereiro uma visita de trabalho à capital britânica mas cancelou-a sob o argumento de que o seu antecessor “vendeu ao desbarato a Embaixada com a melhor localização de Londres”. Acontece que essa mudança foi decidida por... George W. Bush

O líder dos EUA decidiu cancelar uma visita ao Reino Unido que tinha programada para fevereiro, onde era esperado que inaugurasse a nova Embaixada norte-americana em Londres.

No Twitter, Donald Trump disse esta quinta-feira que não é um "grande fã" do novo edifício, que custou cerca de mil milhões de dólares (834 milhões de euros) a construir e que está localizado em Vauxhall, no sul da capital britânica. Para o Presidente, a nova Embaixada fica "fora de mão" por causa de um "mau negócio" que ele atribui ao seu antecessor, Barack Obama.

"A razão pela qual cancelei a minha visita a Londres é porque não sou grande fã do facto de a administração Obama ter vendido ao desbarato a melhor e mais bem localizada Embaixada de Londres, apenas para construir uma nova numa zona fora de mão por 1,2 mil milhões de dólares [mil milhões de euros]. Queriam que eu cortasse a fita – NÃO!"

A viagem prevista para fevereiro não ia ser uma visita oficial como Theresa May, a primeira-ministra britânica, tinha sugerido quando se deslocou a Washington no ano passado, altura em que apresentou a Trump um convite oficial da Rainha Isabel II para este se deslocar ao Reino Unido.

Contactado pelos jornalistas, o gabinete da primeira-ministra escusou-se a comentar o cancelamento da visita de trabalho. A mudança de Embaixada que está na base da decisão de Trump tinha sido anunciada em outubro de 2008, quando o Presidente dos EUA era George W. Bush e não Barack Obama. Será Rex Tillerson, o secretário de Estado dos EUA, a representar o governo na cerimónia de inauguração da nova missão diplomática.

Visita oficial vai acontecer?

Segundo fontes de Downing Street citadas pela BBC, o governo de May ainda está a considerar diferentes datas para a visita oficial de Trump, que deverá ocorrer no final deste ano e que envolverá um almoço com a Rainha de Inglaterra no Palácio de Buckingham.

Em dezembro, numa entrevista à BBC, o embaixador dos EUA no Reino Unido, Woody Johnson, tinha dito estar "absolutamente" convencido de que Trump vai concretizar essa visita em 2018 – uma que tem gerado petições online e protestos de pessoas que não concordam com a vinda do líder, entre eles o autarca de Londres. Trump, por sua vez, continua a adiar a marcação da visita por temer que haja protestos em larga escala contra ele na capital londrina.

No verão passado, no seu discurso anual ao Parlamento, a Rainha não mencionou a potencial visita, o que forçou Downing Street a vir dar garantias de que o convite foi "aceite" por Trump. Em janeiro de 2017, dias depois de Trump ter tomado posse como 45.º Presidente dos EUA, a primeira-ministra britânica foi a primeira líder estrangeira a encontrar-se com ele na Sala Oval.

O cancelamento da visita de trabalho em fevereiro surge na sequência de uma série de desentendimentos entre os EUA e o Reino Unido, entre eles o facto de May se ter recusado a apoiar a decisão de Trump sobre Jerusalém, quando declarou que a cidade santa é a capital de Israel e que vai mudar a Embaixada norte-americana de Telavive para lá.

Antes disso, em novembro, Trump e May já tinham entrado em conflito quando a primeira-ministra acusou publicamente o Presidente norte-americano de ter "feito mal" em partilhar vídeos falsos anti-imigração publicados por um grupo de extrema-direita britânico. A isto, Trump respondeu que a chefe do governo não devia focar-se nele mas no "destrutivo terrorismo islâmico radical que está a ter lugar no Reino Unido".