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Reino Unido quer eliminar todos os resíduos plásticos “evitáveis” até 2042

Matt Cardy

Programa ambiental de Theresa May para os próximos 25 anos passa por abolir a venda de microplásticos e por aplicar uma taxa sobre os sacos de plástico em todas as lojas do país. Ambientalistas e oposição dizem que plano “peca pela ausência de urgência e de detalhes”

A primeira-ministra britânica comprometeu-se na quinta-feira a eliminar todos os resíduos plásticos "evitáveis" até 2042 ao apresentar o seu programa ambiental para os próximos 25 anos. Sob essa promessa, o Reino Unido pretende acabar com o uso de sacos de plástico usados em lojas, de embalagens de produtos alimentícios e de palhinhas.

A medida faz parte de um plano que tinha sido prometido pelo governo conservador há três anos e que, entre outras coisas, passa também por criar alas "livres de plástico" nos supermercados e por trabalhar com o sector do comércio para que todas as lojas comecem a cobrar cinco cêntimos por cada saco de plástico.

O objetivo de abolir todo o plástico descartável foi acolhido com poucos aplausos pelos ambientalistas, com uma organização sem fins lucrativos a dizer que o programa do governo "peca pela ausência de urgência e de detalhes" e outra a lembrar que o país "não se pode dar ao luxo de esperar" muito mais tempo por mudanças estruturais no que toca ao consumo de plástico.

"Focar as atenções apenas nas questões menores de proteção ambiental é como tratar uma doença cardíaca com um bypass gástrico sem alterações à dieta e sem se começar a fazer exercício físico regularmente", defendeu Caroline Lucas, do partido Os Verdes, criticando o programa "vago" do governo. "Esta não é uma solução de longo prazo séria e sustentável", acrescentou.

"Se Theresa May quer persuadir as pessoas de que isto é mais do que fogo de vista", acrescentou o diretor-executivo da Greenpeace, John Sauven, a primeira-ministra "tem de empenhar-se mais em soluções conjuntas que estejam no centro da sua estratégia".

Que propostas?

O programa que Theresa May anunciou quinta-feira surge num momento de alguns compromissos do governo britânico em defesa do ambiente, nomeadamente o reforço da proteção animal e a abolição do consumo e venda de produtos que contêm microplásticos, que representam riscos para a saúde humana e que são uma das grandes fontes de poluição dos oceanos.

"Olhamos para o horror de alguns dos danos provocados ao nosso ambiente no passado e questionamos como é que alguém pode ter achado, por exemplo, que largar químicos tóxicos sem tratamento nos rios era a coisa certa a fazer", declarou a chefe do governo britânico no seu anúncio, segundo o jornal "The Independent".

"Ao longo dos próximos anos, penso que as pessoas vão ficar chocadas com a forma como nós hoje permitimos que tanto plástico seja produzido desnecessariamente. Só no Reino Unido, a quantidade de plástico usado e descartado a cada ano dava para encher mil halls Royal Albert", a mais prestigiada sala de espetáculos de Londres.

No mesmo discurso, May comprometeu-se a apresentar uma série de medidas para acabar com todo os resíduos plásticos "evitáveis" até 2042 desde que seja "tecnológica, económica e ambientalmente prático" fazê-lo. Para já, sabe-se que, nesse sentido, pretende implementar uma taxa pelos sacos de plástico das lojas, semelhante à que já está implementada, total ou parcialmente, numa série de países europeus, entre eles Portugal.

  • Joana Azevedo Viana

    Estagiou no Público em 2008, enquanto terminava o curso de jornalismo na ESCS. Em 2009 integrou a equipa fundadora do i. Por lá ficou sete anos, dedicada ao resto do mundo fora do rectângulo mais ocidental da Europa. Esteve na Palestina ocupada, no Uruguai revolucionário de Pepe Mujica e recentemente nos Balcãs, na Grécia e na Turquia, a dar voz e caras aos que, tendo perdido tudo, partiram em busca da ajuda preciosa da Europa. Colabora com a revista Estante desde 2014 e com o Expresso desde Fevereiro de 2016, onde retornou à política internacional.