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Irá Trump impor novas sanções ao Irão? Secretário do Tesouro norte-americano diz que é provável

Drew Angerer/Getty Images

Donald Trump deverá decidir amanhã se vai ou não manter suspensas as sanções contra o Irão, conforme prevê o acordo nuclear assinado em 2015. Sabe-se que a sua ideia é alterar o acordo ou rasgá-lo. Não parece haver outra hipótese

Helena Bento

Jornalista

Ainda não se sabe se Donald Trump vai ou não impor novas sanções ao Irão, mas Steve Mnuchin, secretário do Tesouro norte-americano, disse esta quinta-feira aos jornalistas que é provável que o Presidente o faça. “Isso continua a ser uma opção. Acho que podem contar com isso”.

Trump tem até amanhã, sexta-feira, para decidir se vai manter suspensas as sanções contra o Irão, conforme prevê o acordo nuclear assinado em 2015 (que também obriga a uma renovação da suspensão de 120 em 120 dias). Sabe-se que a sua ideia - e foi o próprio que a partilhou - é alterar o acordo ou rasgá-lo. Não parece haver outra hipótese. O Presidente norte-americano considera que o Irão não tem respeitado o “espírito” do compromisso. Foi pelo menos isso que afirmou em outubro do ano passado, ocasião em que também considerou o acordo “uma das piores e mais unilaterais transações em que os EUA já se envolveram” e acusou o Irão de cometer “múltiplas violações”.

Já na altura, Trump prometeu que iria trabalhar em conjunto com o Congresso para resolver as “graves falhas do acordo”, nomeadamente a cláusula que permite o levantamento das restrições sobre o programa iraniano de enriquecimento de urânio para fins militares a partir de 2025. Outra reivindicação já manifestada pelo Presidente norte-americano diz respeito ao acesso livre da Agência Internacional de Energia Atómica a bases militares iranianas e à inclusão do programa de desenvolvimento de mísseis balísticos do Irão no acordo nuclear. Já da parte do governo iraniano tem chegado a garantia de que o Irão não será o primeiro a violar o compromisso, embora o país possa regressar “rapidamente” ao programa nuclear caso as restantes partes falhem. Na terça-feira, Ali Akbar Salehi, chefe da organização iraniana de energia atómica, disse que é improvável que o seu país continue a cooperar com a comunidade internacional se o acordo cair. Além dos EUA e do Irão, assinaram o documento a Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha.

Embora fontes oficiais, e anónimas, tenham revelado à agência Associated Press, na quarta-feira, que Trump deverá prolongar a suspensão das sanções por mais 120 dias - podendo, no entanto, impor novas sanções contra cidadãos iranianos que têm, segundo os EUA, apoiado o terrorismo e cometido violações dos direitos humanos - Mohamad Yavad Zarif, ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, disse ser totalmente “impossível prever” o rumo político da Casa Branca, até porque é provável que “o próprio Trump não saiba que decisão vai tomar”. “Não é claro [o que vão anunciar os EUA], porque é impossível prever a política de Trump. Levou a sua política a tal extremo que mesmo os seus parceiros desconfiam dela”, sublinhou o ministro em Moscovo, para onde viajou esta semana para um encontro com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov.

Em declarações à “Al-Jazeera”, Ellie Geranmayeh, do European Council on Foreign Relations, sublinhou precisamente o mesmo aspecto. “Não há forma de saber o que vai acontecer. Trump tem tomado decisões de última hora em relação a este assunto.” A especialista sublinhou ainda que há, da parte da União Europeia, alguns receios de que os recentes protestos no Irão tenham algum peso sobre a decisão de Trump.