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Internacional

Farage admite segundo referendo sobre o Brexit para calar “queixinhas” dos opositores

PATRICK SEEGER/EPA

Líder do UKIP é um dos maiores críticos britânicos da União Europeia

Luís M. Faria

Jornalista

Um dos maiores defensores do Brexit, o ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, manifestou inesperadamente simpatia pela ideia de um segundo referendo sobre a questão. O objetivo seria encerrar definitivamente as “queixinhas” dos opositores. “A percentagem de pessoas que votaria da próxima vez seria muito superior à da última”, disse, acrescentando que um voto maior a favor do Brexit “mataria” o assunto.

“O que é certo é que os Cleggs, os Blairs e os Adonises nunca vão desistir”, explicou Farage num programa da BBC, referindo-se a três ex-líderes políticos que continuam a insistir numa segunda oportunidade de o povo britânico se voltar a pronunciar. “Talvez, só talvez, eu esteja a chegar ao ponto de pensar que devíamos ter um segundo referendo, para acabar de vez com a coisa. E Blair pode desaparecer na obscuridade total.”

Falando na segunda-feira após um encontro com o negociador principal da União Europeia (UE), o líder do UKIP deplorou que a UE continue a resistir à ideia de livre circulação de serviços financeiros e outros, e afirmou que se essa atitude continuar não vale a pena “gastar tempo e aguentar anos de agonia”.

Garantiu que muitos britânicos começam a ver as vantagens de não haver acordo nenhum com a UE, aplicando-se em vez disso as regras gerais da Organização Mundial de Comércio. “Todos os indicadores económicos britânicos são muito melhores do que se previa”, disse, notando que nenhum dos cenários mais apocalípticos se confirmou até agora.

No referendo de junho de 2016, o Brexit ganhou com 51%. Tendo o governo levado longos meses a invocar o artigo da Carta da União Europeia que regulamenta a matéria, a data prevista para o Reino Unido deixar a UE é 29 de março de 2019.