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Turquia vai contratar quase 43 mil novos militares em 2018 após purga no Exército

ADEM ALTAN

Desde o golpe falhado de julho de 2016, o governo turco suspendeu ou despediu dezenas de milhares de pessoas nas forças armadas e na função pública e ordenou o encerramento de dezenas de meios de comunicação social

O Exército turco vai ser expandido em quase 43 mil novos membros ao longo deste ano, após dezenas de milhares de oficiais terem sido afastados das forças armadas desde o golpe falhado de julho de 2016. À agência estatal Anadolu, uma fonte do Exército avançou na terça-feira que entre as novas contratações vão contar-se 3755 oficiais e 5375 não comissionados (pessoal de carreira), a par de mais de 13 mil sargentos especializados e de quase 21 mil oficiais contratados.

O reforço das estruturas militares surge depois de o governo de Recep Tayyip Erdogan ter suspendido ou afastado dezenas de milhares de pessoas do Exército, da função pública e de instituições do Estado depois do golpe falhado de julho de 2016, atribuído pelo Presidente turco ao clérigo Fethullah Gülen, seu ex-aliado tornado rival, que vive exilado nos EUA desde 1999.

Quase 300 pessoas morreram nessa tentativa de golpe, à qual se seguiu uma purga generalizada nas estruturas de poder em todo o país, que viu centenas de pessoas serem detidas, incluindo dezenas de jornalistas. Desde então, vários grupos de Direitos Humanos dentro e fora da Turquia, bem como a União Europeia, têm acusado Erdogan de usar o golpe como pretexto para silenciar a oposição ao seu governo.

À Anadolu, a fonte militar disse que um total de 8565 pessoas foram expulsas do Exército por alegadas ligações a Gülen e ao golpe falhado desde 2016, entre elas 150 generais, 4630 oficiais, 2167 funcionários não comissionados, 1210 sargentos especializados e soldados contratados e 411 funcionários públicos que trabalham nas estruturas militares.

De acordo com um comunicado do ministro da Defesa, Fikri Isik, emitido há um ano, quase 16500 estudantes do Exército também foram expulsos por alegadas ligações à rede de Gülen.