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Internacional

Duas notícias sobre um vídeo do Ministério da Defesa da Rússia com... cachorrinhos fofos

Nos dias de parco noticiário há histórias que saltam para as páginas sem que se perceba muito bem porquê

A notícia chegou esta manhã através da conceituada agência norte-americana Associated Press e rezava mais ou menos assim: “As Forças Armadas russas acabam de revelar a sua última arma de tecnologia ponta num vídeo de feliz Ano Novo: cachorrinhos fofos”.

E prosseguia: “Depois de um ano a exibir o seu poder militar na Síria, o ministro da Defesa adotou uma abordagem mais delicada. O vídeo de um minuto mostra dezenas de cachorros a partilharem comida. Cães mais velhos surgem em brincadeiras com militares não identificados.”

Conta ainda a Associated Press que as Forças Armadas Russas têm ao seu serviço mais de 3000 cães e que aqueles que são treinados neste Centro de Reprodução Canino, nos arredores de Moscovo, estão entre os “mais condecorados”.

E remata: “Este centro ganhou uma competição internacional no verão passado onde competiu com forças caninas da Bielorrússia, Egito, Irão e Uzbequistão”.

Não é difícil antever o efeito na opinião pública norte-americana (e até do restante mundo ocidental) da abordagem seguida pela Associated Press. Num mundo dominado pela tecnologia, o último grito de guerra na Rússia são cachorros. Quem lê a notícia não pode deixar de sorrir à boleia de tamanha ridicularia. E pensar que, afinal, não passará de fait-divers para distrair o leitor entre temas densos e conquistar likes em redes sociais.

Numa manhã parca em noticiário, a história da Associated Press surge reproduzida em sites de referência como o “The New York Times” ou o “The Washington Post”.

Do outro lado do mundo, a agência Sputnik, sucessora da estatal RIA Novosti, limita-se a constatar o óbvio: “Ministério da Defesa publica vídeo com cachorrinhos para desejar aos russos um Bom Ano”.

Na edição inglesa do seu site conta que o vídeo com a duração de 1m19s — publicado no primeiro dia do ano no YouTube — foi recebido com “entusiasmo” pelos utilizadores do popular site norte-americano esmagados por esta “overdose de fofura”. À hora a que esta notícia foi publicada tinha 30.252 visualizações, 645 likes, 16 dislikes e 46 comentários. Assim vai a guerra noticiosa entre russos e norte-americanos, onde as primeiras vítimas são, para já, os próprios jornalistas.