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Eleições antecipadas da Catalunha sem vencedor claro à vista

Graffiti em Barcelona mostra a candidata do Cidadãos, Inés Arrimadas, a beijar Miguel Iceta, líder do Partido Socialista Catalão

JAVIER SORIANO

Sondagens apontam para empate técnico entre a Esquerda Republicana Catalã (ERC), pró-independência, e os constitucionalistas do Cidadãos na ida às urnas desta quinta-feira

Os catalães vão às urnas esta quinta-feira para eleições antecipadas e altamente contestadas que opõem secessionistas e constitucionalistas e que vai determinar a próxima fase da longa campanha pela independência da Catalunha face a Espanha.

As eleições forma convocadas pelo chefe do governo central espanhol, Mariano Rajoy, no final de outubro, após este ter assumido o controlo da comunidade autónoma no rescaldo de um referendo não-vinculativo que considerou ilegal e que levou o governo regional (Generalitat) a emitir uma declaração unilateral de independência.

Sondagens divulgadas nos últimos dias antevêem um parlamento sem maioria, com um empate previsto entre a Esquerda Republicana Catalã (ERC), pró-independência, e o Cidadãos, de centro-direita e a favor da união de Espanha.

Sem vencedor claro à vista, os resultados do plebiscito desta quinta-feira deverão conduzir a negociações para a formação de um governo que ou irá manter a vontade independentista ou, por outro, reorientar a Catalunha para o statu quo constitucional. As eleições serão marcadas por elevadas tensões, após o governo central ter ordenado as autoridades espanholas a usarem todos os meios à sua disposição para travar o referendo de outubro, gerando cenas de violência considerada desproporcional por muitos dentro e fora da Catalunha.

Os independentistas acreditam que a imposição de controlo direto da Catalunha por Rajoy e as detenções de líderes da anterior Generalitat vão dar fogo à causa secessionista. Os constitucionalistas argumentam, por sua vez, que os catalães estão fartos da inquietação social e incerteza económica geradas pelas ações unilaterais do governo regional de Carles Puigdemont — que continua exilado em Bruxelas e a partir de onde esteve a fazer campanha pela Junts per Catalunya (JuntsxCat), uma coligação entre o partido Convergência Democrática e aquele que é tido como o seu sucessor, o Partido Democrata Europeu Catalão, que Puigdemont fundou há um ano.

O presidente do governo regional fugiu para a capital belga logo a seguir ao referendo de outubro, horas depois de o procurador-geral de Espanha o ter acusado formalmente de rebelião, insubordinação e desvio de fundos públicos. Na altura, o número dois da Generalitat, Oriol Junqueras, e outros dois líderes independentistas foram detidos no âmbito da investigação judicial aberta pelo Ministério Público espanhol; os três continuam na prisão.

"Estas não são umas eleições normais", declarou na terça-feira Puigdemont numa videoconferência para encerrar a campanha. "O que está em causa não é quem vai conquistar mais votos, é quem é que vence, se o país [Catalunha] ou Rajoy." O presidente do governo regional deposto já prometeu regressar a Barcelona caso vença as eleições, mas é quase certo que deverá ser detido assim que voltar a entrar no território espanhol.

Apesar de o seu Convergência se ter candidato às eleições regionais de 2015 coligado com a Esquerda Republicana Catalã (ERC) de Junqueras, desta vez cada partido concorre sozinho, deixando a descoberto as cisões entre Puigdemont e Junqueras, depois de o último ter acusado o primeiro de fugir às suas responsabilidades ao fugir para a Bélgica.

A corrida está renhida entre a ERC e o ramo catalão do Cidadãos, partido de centro-direita relativamente jovem cuja candidata, Inés Arrimadas, tem sido explícita a defender o fim da campanha secessionista, tendo prometido restaurar a coesão social no espaço de 100 dias caso seja eleita. "Na quinta-feira vamos acordar deste pesadelo da independência", garantiu no encerramento da campanha.