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Brexit. Ainda a fronteira irlandesa, com um prazo de 48 horas a apertar

Sinn Fein organizou protesto em Belfast perante novo impasse nas negociações do Brexit

Charles McQuillan

Irlanda do Norte quer novas propostas para fechar a questão com a Irlanda, o único Estado-membro da União Europeia com o qual o Reino Unido partilha uma fronteira terrestre. Na próxima semana, os líderes da Europa a 27 vão decidir se já houve “progressos suficientes” para se começar a debater a futura relação dos britânicos com o bloco após a saída da UE

Estão a aumentar as pressões à primeira-ministra britânica para que quebre o derradeiro impasse nas negociações com o Brexit, após uma nova ronda de reuniões no início da semana em Bruxelas ter terminado sem um acordo relativamente à fronteira com a Irlanda, o único Estado-membro da União Europeia com o qual o Reino Unido partilha uma fronteira terrestre.

Depois de Theresa May ter viajado até Bruxelas na segunda-feira para se encontrar com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com o chefe do Conselho Europeu, Donald Tusk, a líder do Partido Unionista Democrático (DUP), Arlene Foster — com quem o Partido Conservador de May formou coligação para governar após as legislativas antecipadas em junho deste ano — telefonou à chefe do Governo britânico para lhe dizer que não aceita qualquer das propostas por ela apresentadas para resolver a questão fronteiriça.

Ainda há “trabalho a fazer” para definir a situação na fronteira com a Irlanda, declarou a primeira-ministra norte-irlandesa, cujo território integra o Reino Unido. Em declarações aos jornalistas, o chefe do Governo irlandês, Leo Varadkar, disse que está disposto a considerar novas propostas sobre o assunto e sugeriu que Londres poderá apresentar algumas em breve.

Segundo informações apuradas pela BBC, os representantes dos 27 Estados-membros da UE estão “à espera de alguma coisa da parte de Londres” quanto ao assunto, após o DUP, de cujo apoio May depende no Parlamento, ter rejeitado dar o seu aval aos planos do Reino Unido e da UE. Para o partido minoritário, as sugestões de Londres e Bruxelas para alinhar regulações dos dois lados da fronteira irlandesa e evitar uma “fronteira rija” no pós-Brexit são inaceitáveis.

Em declarações dirigidas ao Governo britânico, o vice-secretário-geral do partido, Nigel Dodds, disse que a Irlanda deve dar mais garantias de que a fronteira não será palco de pesadas taxas aduaneiras e outros processos burocráticos quando o Reino Unido abandonar a UE, acusando May de estar a fazer “um jogo perigoso” que põe em risco a própria economia britânica.

Numa conferência de imprensa ao lado do primeiro-ministro holandês, Varadkar disse por sua vez na quarta-feira que “pessoas em Londres” lhe garantiram que a chefe do Governo britânico vai apresentar novas propostas “esta noite [de ontem] ou amanhã [esta quinta-feira]”.

A pedido do chefe da delegação da UE para o Brexit, Michel Barnier, os Estados-membros da UE definiram que deve haver propostas claras em cima da mesa nas próximas 48 horas, até ao final desta semana, para que haja tempo suficiente para as debater. Só quando se fecharem as negociações sobre a fronteira das Irlandas é que o Reino Unido poderá começar a negociar a sua futura relação comercial com o bloco europeu após a saída estar concluída, em março de 2019.

Numa importante cimeira na próxima semana, os líderes europeus vão decidir se houve progressos suficientes neste ponto, bem quanto à chamada 'fatura do divórcio' e aos direitos dos cidadãos da UE no Reino Unido, para se avançar para a segunda fase das negociações.

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