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Alto quatro da Volkswagen condenado a sete anos de prisão nos EUA

Getty

Principal responsável pelo departamento engenharia e ambiente da Volkswagen no estado norte-americano do Michigan foi a segunda condenação da justiça norte-americana no âmbito do escândalo das emissões fraudulentas

Um juiz sentenciou esta quarta-feira um alto quadro da Volkswagen a sete anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 400 mil dólares (cerca de 338 mil euros) por envolvimento num esquema fraudulento que visava encobrir as reais emissões poluentes de 600 mil veículos a diesel.

Oliver Schmidt, que é a segunda pessoa a ser condenada a uma pena de prisão efetiva, foi enviado da Alemanha para os EUA, em 2015, para se reunir com reguladores californianos desconfiados.

Mas nessa altura não revelou a existência de programas informáticos clandestinos que tinham levado as autoridades a acreditarem que a VW estava a cumprir com os limites de emissões. O tribunal deu como provado que Schmidt enganou os investigadores norte-americanos e destruiu documentos aplicando-lhe a pena máxima para os crimes de que estava acusado.

"Estou seguro, baseado no senso comum, que você viu este encobrimento como uma oportunidade para brilhar — para subir na carreira na VW", afirmou o juiz Sean Cox, acentuando: "O seu objetivo era impressionar os gestores seniores".

O juiz designou Schmidt, que liderou o departamento de engenharia e ambiente da VW no estado do Michigan durante três anos, como um "conspirador chave" na fraude.

"Sem confiança na América empresarial, a economia não pode funcionar", afirmou Cox.

Os veículos a diesel eram programados para apresentar resultados falsos nos controlos de poluição — apenas quando estavam a ser testados – mas jamais durante o desempenho normal nas estradas.

O plano foi concebido em 2006 e os veículos foram promovidos como tendo "combustível limpo".

O procurador Bem Singer, do Departamento de Justiça, considerou que isto era "o cúmulo da ironia".

Schmidt, de 48 anos, foi detido em Miami, em janeiro, quando procurava regressar à Alemanha, depois de um período de férias. Tem estado detido sem caução.

"Pela perturbação na minha vida, apenas me devo queixar de mim... Aceito a responsabilidade pelos erros que cometi", afirmou Schmidt ao juiz.

O primeiro condenado pela justiça norte-americana no âmbito deste escândalo foi o engenheiro James Liang, que cooperou com o FBI. Foi sentenciado a 40 meses de prisão no último verão. Outros responsáveis da VW também foram acusados, mas estão na Alemanha e fora do alcance das autoridades judiciárias dos Estados Unidos.

A VW declarou-se culpada, enquanto empresa, em março, pelo que teve de pagar 4,3 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) em penalidades civis e criminais. Esta construtora automóvel gastou ainda milhares de milhões de euros na retoma de viaturas com o software fraudulento.

Os advogados de Schmidt argumentaram que a sua sentença deveria ser idêntica à de Liang, destacando que o seu envolvimento só foi relevante em 2015, nos últimos meses do escândalo.

Mas Singer contrapôs que Schmidt continuava a ser um ator central e que "mentiu e enganou" de propósito.