Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Jerusalém. Hamas diz que decisão não altera estatuto “religioso, jurídico e administrativo” da cidade

MOHAMMED ABED/GETTY

Ismail Radouane, alto responsável do Hamas, defende que a decisão do Presidente norte-americano “abre as portas do inferno para os interesses americanos na região”

O líder político do Hamas, Ismail Haniye, afirmou esta quarta-feira que a decisão do Presidente dos Estados Unidos, de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, não vai alterar o estatuto "religioso, jurídico e administrativo" da cidade.

O líder do movimento islâmico palestiniano Hamas respondeu à decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, que afirmou esta quarta-feira que "há muito que já deveria ter sido tomada" esta decisão.

Trump também anunciou – como já era esperado – que vai dar ordens ao Departamento de Estado para mudar a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém.

Já Ismail Radouane, alto responsável do Hamas, defendeu que a decisão de Donald Trump "abre as portas do inferno para os interesses americanos na região".

O responsável do Hamas solicitou aos países árabes e muçulmanos que "reduzam as ligações económicas e políticas" com as embaixadas dos Estados Unidos e que expulsem os embaixadores norte-americanos.

Através desta decisão da administração da Casa Branca, os Estados Unidos tornam-se no único país do mundo a reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

A comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital de Israel, nem a anexação da parte oriental da cidade, conquistada em 1967.

Israel considera a Cidade Santa a sua capital "eterna e reunificada", mas os palestinianos defendem pelo contrário que Jerusalém-leste deve ser a capital do Estado palestiniano ao qual aspiram, num dos principais diferendos que opõem as duas partes em conflito.

Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos.

Uma lei norte-americana de 1995 solicitava a Washington a mudança da embaixada para Jerusalém, mas essa medida nunca foi aplicada, porque os Presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação, a cada seis meses, com base em "interesses nacionais".

Trump disse, a propósito desse adiamento, que "velhos problemas exigem soluções novas".