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É oficial: Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel e vai contratar engenheiros para construírem “monumento à paz”

JACK GUEZ/ Getty Images

Presidente norte-americano anunciou ainda a saída da embaixada norte-americana de Telavive. Nenhum outro país tem embaixada em Jerusalém

Os Estados Unidos da América reconheceram Jerusalém como capital de Israel. Esta quarta-feira, tal como já se especulava nos últimos dias, Donald Trump anunciou aquela que considera ser “uma nova abordagem no conflito entre Israel e Palestina”, que incluiu também a mudança da embaixada norte-americana de Telavive para a cidade Santa.

“Temos recusado reconhecer qualquer cidade como a capital de Israel. Isto não é mais nem menos do que a reconhecimento da realidade. É algo que já deveria ter sido feito”, disse Trump numa comunicação aos jornalistas, após relembrar que esta era uma promessa eleitoral.

Para Trump, o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel já deveria ter acontecido há muito tempo, sublinhando que se trata de um Estado soberano e com direito a escolher a sua capital. Atualmente, várias instituições do Governo israelita e ainda as residências oficiais do Presidente e primeiro-ministro estão localizadas naquela cidade.

“Após mais de duas décadas de renúncias, não estamos mais perto de um acordo de paz entre Israel e palestinianos. Seria insensato assumir que repetir exatamente a mesma fórmula iria produzir agora um efeito diferente ou melhor”, justificou Trump.

Mas a decisão tomada “não reflete” uma tomada de posição no conflito. Os EUA querem “um acordo que seja benéfico para ambas as partes” e, se Israel e Palestina aceitarem, os norte-americanos apoiarão uma “solução de dois Estados” para a cidade.

“Jerusalém não é apenas o coração de três religiões. É também agora o coração de um dos mais democratas países do mundo”, sustentou Trump.

Depois de ter passados as últimas horas em vários telefonemas com líderes mundiais, muitos dos quais desaconselharam Trump a tomar esta decisão, o Presidente norte-americano admitiu que que “de certeza que haverá desacordo” mas que no final se chegará “a um lugar de paz e cooperação”. Apelou ainda à tolerância e pediu aos líderes religiosos que se unam na “na nobre jornada da busca pela paz”.

Mike Pence, vice-presidente dos EUA, irá viajar “em breve” para o Médio Oriente. E também num curto espaço de tempo, os EUA vão começar o processo de contratação “de arquitetos e engenheiros” para construir “uma magnifico tributo à paz” em Jerusalém, anunciou Trump referindo-se ao arranque das obras do novo edifício diplomático.

Jerusalém foi ocupada por Israel em 1967, durante a Guerra do Seis Dias, e anexada ao território hebraico três anos depois. Os israelitas continuam defender que toda a cidade é seu domínio, mas sob a lei internacional a área é considerada um território ocupado. Os palestinianos consideram-na a capital do futuro Estado da Palestina.

Na última semana, a especulação em torno desta mudança da embaixada foi aumentando e a imprensa internacional anunciava que estaria para breve uma decisão. Na madrugada desta quarta-feira, funcionários da Casa Branca davam como certo que Trump iria reconhecer formalmente Jerusalém como a capital de Israel. Poucas horas antes, a administração norte-americana tinha aconselhado o pessoal diplomático a evitar a Cisjordânia ocupada e a parte antiga da capital disputada pelos dois lados do conflito.

Durante a campanha para as presidenciais de 2016, Trump prometeu transferir a sua representação diplomática para Jerusalém assim que chegasse ao poder. Quando os Estados Unidos estiverem ao lado de Israel, as possibilidades de paz aumentarão exponencialmente. Isso é o que acontecerá quando Donald Trump for Presidente dos Estados Unidos. Vamos mudar a embaixada norte-americana para capital eterna do povo judeu: Jerusalém. E vamos deixar um sinal claro de que nada separa a América do seu mais fiável aliado, o Estado de Israel”, declarou o então candidato republicano.

Há mais de duas décadas que as sucessivas administrações dos EUA assinam, a cada seis meses, um documento que confirma a permanência da sua embaixada em Telavive. O prazo terminava na passada sexta-feira, mas foi esticado até segunda. Trump deixou passar a data limite e não assinou o papel, sob o argumento de que ainda estava a decidir qual seria o seu próximo passo.

Desde 1948, quando o Estado de Israel foi criado, a Casa Branca tem mantido que o estatuto de Jerusalém deve ser decidido através de negociações entre as duas partes, recusando-se a agir de formas que possam parecer enviesadas a favor dos hebraicos. Aliás, nenhum outro país tem embaixada naquela cidade, existindo um consenso internacional com o apoio das Nações Unidas.