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Internacional

Detetadas “anomalias cerebrais” em diplomatas dos EUA afetados em Cuba

Embaixada dos Estados Unidos em Havana, capital de Cuba.

YAMIL LAGE/GETTY IMAGES

A descoberta vem afastar a suspeita de um ataque com ondas sónicas, conforme foi inicialmente descrito o incidente. Ao longo do último ano, 24 representantes norte-americanos em Havana foram internados com sintomas variados, desde perda de audição e de visão, desequilíbrio e perda de memória

Helena Bento

Jornalista

Há um novo dado para juntar à investigação sobre o misterioso ataque de que foram vítimas diplomatas norte-americanos em Cuba. Segundo a Associated Press, os médicos que têm estado a lidar diretamente com os diplomatas afetados descobriram “anomalias cerebrais” em alguns deles. A descoberta vem afastar a suspeita de um “ataque sónico”, conforme foi inicialmente descrito o incidente.

Ao longo do último ano, 24 representantes norte-americanos em Havana, capital de Cuba, assim como alguns diplomatas canadianos, foram internados com sintomas variados: perda de audição e de visão, desequilíbrio e perda de memória. Na altura, surgiu a suspeita de que teria havido um ataque com ondas sónicas, uma vez que algumas das vítimas relataram ter ouvido sons como zumbidos altos ou uma espécie de chilrear semelhante aos dos grilos e das cigarras.

Outros diplomatas disseram ter ouvido um barulho semelhante a um ranger, barulhos, em alguns casos, que paravam assim que os funcionários se afastavam da cama dos quartos de hotéis e residências onde se encontravam hospedados. Outros ainda disseram ter sentido vibrações, referia então a Associated Press. Muitos dos diplomatas encontram-se já totalmente recuperados, depois de submetidos a reabilitação e outros tratamentos, e já regressaram ao trabalho.

Os testes médicos a que foram sujeitos revelaram que, independentemente do que tenha causado o ataque (que ainda não se sabe o que foi), foram causados danos numa zona específica que permite a comunicação entre as diferentes partes do cérebro. Uma zona onde, segundo Elisa Konogou, engenheira biomédica e professora na Columbia University (EUA), nunca foi registada a influência ou efeito de “ondas acústicas”. “Ficaria muito surpreendida se tivesse sido essa a causa do ataque. Nunca vimos nada assim”, disse à AP. Três fontes ligadas à investigação explicaram recentemente à mesma agência que os sons ouvidos deverão, nesse sentido, ter sido apenas uma consequência do ataque e não a sua causa.

Cuba negou o seu envolvimento desde o início, classificando inclusive as notícias sobre o incidente e as alegações dos diplomatas norte-americanos como “mentiras deliberadas” e “impossíveis do ponto de vista científico”. Já os EUA, desconfiados com a sucessão de acontecimentos, anunciaram a retirada de mais de metade dos seus diplomatas de Cuba, tendo de seguida expulsado 15 diplomatas cubanos de Washington, com o argumento de que Havana não estaria a tomar as “medidas adequadas para proteger os diplomatas norte-americanos”.

As conclusões da investigação sobre o ataque deverão ser publicadas, em parte, no “Journal of the American Medical Association”, da Associação Médica Americana (AMA). Espera-se que uma grande parte da informação não venha a ser tornada pública.